24ª Vodafone Paredes de Coura: Cage The Elephant arrasam Coura (3/4);

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No terceiro dia a garganta já arranhava e os olhos pesavam, mas era dia de Cage the Elephant, era dia de acordar.

Cheguei ao recinto às nove e vinte a tempo de King Gizzard & The Lizard Wizard. E uma onda de poeira se levantou. A banda que vê na inovação a única evolução, trouxe-nos também um concerto diferente. Assim como o último álbum “Nonagon Infinity”, o concerto fez lembrar um contínuo loop, sem paragens, nem “olás”, nem adereços de palco, mas também para quê? A energia da banda australiana bastou-nos e sobrou ainda para guardarmos alguma no bolso.

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Os corpos suados sentaram-se na relva e esperaram mais um concerto. De repente, as luzes apagam-se e a música inicial de Game of Thrones faz-se ouvir, e é cantada por todos os presentes. Os The Vaccines aparecem e são aplaudidos entusiasticamente. Cheios de energia começaram, mas infelizmente não era a mesma energia com que os King Gizzard nos deixaram. Foi um concerto muito bom, mas na minha opinião, teria sido mais bem aproveitado se tivesse sido antes de King Gizzard para fazer uma espécie de crescendo energético e não haver quaisquer quebras.

Depois de uns muito longos 30 minutos, eis que Cage The Elephant aparecem. Uma onda de adrenalina invade. Os pés levantam-se automaticamente do chão e a “Cry Baby” começa a tocar. E aí está, e aí começa aquela sensação inexplicável que se sente quando se vê Cage The Elephant ao vivo. É como se ali nos injetassem adrenalina, é como uma droga qualquer, é sairmos de nós e sermos parte daquele momento que temos plena consciência ficará gravado para sempre na nossa memória. É um daqueles momentos em que nos apercebemos que estamos vivos e que está tudo a acontecer e somos nós ali, e que um dia iremos contar aos nossos filhos e netos o concerto memorável que presenciámos quando tínhamos 20 anos e as pernas ainda nos deixavam saltar.

Segue-se “In One Ear”, e o batimento cardíaco acelera. Saltos, moshes, crowdsurf, suor por todo o lado e Matt não perde folego. Nem ele nem nós. “Spiderhead” e “Aberdeen” são tocadas sem intervalos e as pernas já não se sentem. Os riffs de guitarra de Brad enchem-nos os ouvidos.

Para introduzir o mais recente álbum, Tell Me I’m Pretty, tocam “Too Late to Say Goodbye” e “Cold Cold Cold” e a energia continua no seu pico.

Até que chega “Trouble”, e os corações serenam e enchem-se daquela que é das músicas mais bonitas do novo álbum. Ouve-se em uníssono e é impossível ficar indiferente ao amor sentido no meio da plateia.

Destacaram-se ainda “Ain’ No Rest For The Wicked” um dos hinos da banda, “Mess Around”, “Telescope”, também ela das músicas mais fantásticas do Melophobia.

Mas é assim que “Come A Little Closer” e “Cigarette Daydreams” se fazem ouvir que o público se torna ainda mais eletrizante. É notória a emoção de Matt e Brad. Matt deixa de cantar em partes para deixar o público cantar, Brad atira-se para o público como manda a tradição e, naquele que foi um dos momentos mais engraçados e queridos da noite, recebe um beijo na bochecha de um fã.

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A altos pulmões era gritado “Portugal” e os pelos eriçavam-se e a pele enrugava e a emoção estava à flor da pele.

Encerram com “Teeth”, a penúltima música de Melophobia, que pôs toda a gente a dançar e a saltar. O adeus tanto rejeitado. A banda que em 2014 tinha tocado no primeiro dia do Paredes de Coura e que tinha feito toda a gente apaixonar-se por eles voltou dois anos depois como cabeça de cartaz e cumpriu todas as expectativas. O melhor concerto de todo o festival. Novamente um dos melhores concertos a que já assisti. Quer-se goste ou não de Cage The Elephant não se pode negar o tamanho deles em palco e o que nos fazem sentir e não há muitas bandas de que se possa dizer isso. Espero ansiosamente por vê-los novamente e por viver todo este turbilhão de emoções mais uma vez sem me cansar. Espero ansiosamente por rever a banda que me faz crescer a paixão pela música e por momentos como este. Assim terminou o terceiro dia e assim começou a nostalgia.

Resumo do 1º dia;
Resumo do 2º dia;

Texto: Joana Martins;
Fotos: Hugo Lima/Festival Paredes de Coura

 

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