24ª Vodafone Paredes de Coura: LCD Soundsystem renascem das cinzas (2/4);

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O dia 18 chegou e por todo o campismo já se ouviam os corações palpitantes daqueles que ansiavam ver os LCD Soundsystem. Foi neste dia que se deu inicio ao Vodafone Vozes da Escrita, ao Burn River Sessions e à Poesia. E foi neste que elegi os meus favoritos nas tardes do rio de todo o festival: Samuel Úria e Gisela João. A noite passada ainda cansava nos ombros e o sol batia nas costas quando me sentei na relva. Entraram os dois, de postura engraçada, muito simpáticos e com algum nervosismo. Gisela João abriu com o poema “Que Deus me Perdoe”, o poema que fora em tempos música de Amália Rodrigues, e que cantou à capela, pondo as margens do Taboão em silêncio e arrepiado. Seguiu-se Úria que não cantou, mas encantou. Ouviram-se no Rio Maria Bethânia, Leonard Cohen (traduzido), Nick Cave (traduzido) porque letras são poemas, e Drummond. A minha sessão favorita de vozes da escrita que lavou a alma até àqueles que não apreciam poesia.

Jantou-se e rumou-se novamente ao recinto. Às 20h40 os Sleaford Mods subiram ao palco, a dupla de Nottingham, de sotaque carregado que me trouxeram a saudade de Manchester. De mão a passar no cabelo, o vocalista inglês deu tudo ali no palco. Enquanto Jason “cuspia” as frases agressivas e aceleradas, Andrew dançava ligeiramente mesmo ao seu lado enquanto colocava o beat da canção. Toda uma apresentação engraçada e estranha sem qualquer adereço. O duo bastou-se deles mesmos, uma mesa de mistura onde passava a música e de um microfone. E ao público bastou isso também.

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Thee Oh Sees pegaram na energia deixada pelos Sleaford Mods e puxaram-na ainda mais para cima. Com ritmos de rock de garagem fizeram ondular o chão e o mosh alastrou-se por todo o lado. Um concerto com uma energia descontrolada e indomável.

Mas foram LCD Soundsystem os reis da noite e para mim o segundo melhor concerto do festival.

Assim que entraram fez-se ouvir “Us v Them” um dos grandes hinos da banda. E o público reagiu. Crowdsurf, mosh, gritos e corpos dançantes por todo o lado. Seguiu-se “Daft Punk Is Playing At My House” e o recinto caiu. Mais um hino, mais uma quantidade exorbitante de felicidade. Fizeram-se ainda ouvir “I can change”, “You wanted a hit”, a monstrenga “Movement”, “Losing my edge”, “New York, I love but you’re bringing me down” e “All My Friends”, entre outras. De música para música o entusiasmo aumentava, o batimento cardíaco acelerava, o tempo passava demasiado depressa e o cansaço não chegava. Porquê? Porque os LCD Soundsystem estavam ali à nossa frente, renascidos das cinzas, cinzas essas que se criaram em 2011 ao anunciaram o seu fim. A banda que há 12 anos ali se apresentou, sem álbum gravado, no After Hours, voltou para nós. A gigante bola de espelhos girava em cima, unindo-se com as luzes e criando padrões no céu escuro. A música tocava, James Murphy entregava-se e nós eramos felizes. Assim terminou a noite. Assim se disse um adeus com esperança de um até já àquela que foi uma das maiores bandas a marcar o século XXI.

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aqui o resumo do 1º dia

Texto: Joana Martins;
Fotos: Hugo Lima/Festival Vodafone Paredes de Coura

 

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