24º Vodafone Paredes de Coura: O Couraíso e a Receção ao campista (1/4);

Paredes de Coura

Mais um ano mais um Paredes e com ele a nostalgia do adeus e a frustração de tentar explicar o que é o Paredes de Coura. Escrever sobre o Paredes de Coura é agridoce. É tanto doce porque é escrever sobre a semana da felicidade, a felicidade que antecipamos o ano inteiro e que tanto queremos que os outros vivam por ser aquela o pico da nossa. Amargo porque escrever ainda não é sentir e porque por mais que escrevamos sobre o Paredes de Coura é impossível descrever por completo o que se sente e vive no Couraíso. Escrever sobre o Paredes acaba por ser como tentar descrever a sensação do vento a bater-nos na cara num dia longo e quente de agosto. O vento não se vê, mas está lá, e felicita-nos naquele dia sabendo que será a melhor sensação que poderíamos ter nele. O vento também ele se sente de maneiras diferentes em pessoas diferentes. O Paredes de Coura é tudo isso. É exatamente tudo o que necessitamos e a melhor sensação que poderíamos ter e também ele é sentido de maneiras diferentes por todos aqueles que ali se veem durante uma semana.

Como já é tradição, as festas da vila inauguraram o festival e como sempre aqueceram os corpos nos dias anteriores. Infelizmente devido à sobreposição das festas da vila e as festas populares, nos primeiros dois dias os concertos realizaram-se em espaços fechados que não continham a enorme quantidade de gente que ansiava por ver as bandas. No entanto, nos últimos dois dias o palco voltou ao centro e o mundo fez sentido outra vez. A vila aqueceu como sempre faz e deixou todos ansiosos pelos dias de festival.

Coura

O primeiro dia, o referido como o dia de receção ao campista, atraiu mais pessoas do que é costume ver neste dia. Com We Trust a abrir a noite, o palco encheu-se de crianças, a orquestra Coura All Stars, que acompanharam a banda neste emocionado concerto. Assim que André Tentugal anunciou que este que ali assistíamos era o último concerto, o choque era visível em todas as caras. A banda que não tem parado este verão via ali o seu último espetáculo e seriamos nós o seu último público. Assim que fez o triste anúncio, a música “Time (Better Not Stop)” faz-se ouvir e parece falar-nos agora mais. O concerto termina ao som de “Silent Song” com o público a cantar em uníssono e os nossos pêlos a levantarem-se por baixo das camisolas com a emoção. Tentugal apresenta pela última vez a banda e é possível ouvir o nó que lhe fica na garganta. O adeus e o “Sejam felizes” fazem com que o primeiro concerto do festival se tornasse num dos mais emocionantes.

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Best Youth seguiram-se e a serenidade encheu o recinto. A banda deu mais um grande espetáculo e acalmou os corações que ainda se encontravam frágeis do concerto anterior. As danças de Catarina Salinas são contagiantes e a postura da dupla é maravilhosa. Foram o perfeito seguimento e mais uma vez mostraram ser uma das grandes bandas portuguesas da atualidade.

Antes de Unknown Mortal Orchestra tocaram Minor Victories, que para mim não ficaram gravados na memória. Apesar da potencialidade da banda, ali pareceu ficar esquecida. As pessoas estavam distraídas e apesar de o concerto ter sido bom, não deixou marcas.

Os cabeça do dia chegaram e o público amontoava-se à frente. Os Unknown Mortal Orchestra optaram por tocar muitas músicas do mais recente álbum, Multi-Love, assim como êxitos já antigos e adorados por todos como “How Can You Luv Me”, “So Good At Being In Trouble”, com a qual o público delirou, e encerrou em uníssono com “Can’t Keep Checking My Phone”. O concerto durou menos de uma hora sendo considerado demasiado curto por todos aqueles que ansiavam ver a banda ao vivo, e por alguns, um pouco mais fraco do que o concerto que tinham dado no Optimus Alive em 2014. Foi muito bom, mas soube a pouco.

A noite encerrou com os Orelha Negra e que bela maneira de encerrar. O crowdsurf cresceu e o mosh também. A banda portuguesa encheu o recinto de uma enorme energia e foi aclamada pelo público de Coura. Fiquei apenas um pouco desiludida por ver uma Setlist extremamente semelhante à do Rock Nordeste. Fora isso, souberam mais uma vez dominar o público e dar um grande espetáculo.

(continua)

Texto: Joana Martins
Fotos: Hugo Lima/Festival Vodafone Paredes de Coura

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