ÁTOA na Buzz TV: “música feita em português, por 4 gatos de 19 anos que têm muito amor à música”.

ÁTOA 1

Os ÁTOA, banda natural de Évora, constituída por 4 amigos, estão a conquistar o público português há cerca de dois anos e a Buzz esteve à conversa com eles. A chuva nortenha, a que a quem vive no Norte já está habituado, batizou a entrevista. Sentados à volta de uma mesa recheada das boas entradas portuguesas, e com muita simpatia, deu-se inicio à conversa.

 

  • O vosso álbum saiu há cerca de 5 meses. Estavam à espera que tivesse o apoio e sucesso que está a ter?

João- O nosso álbum, estando nós na estrada e no mercado há tão pouco tempo, acaba sempre por ser um tiro no escuro, acabamos por não estar à espera de nada. É lançar e ficar à espera do que venha. Se estamos contentes com o que está a acontecer no pós-lançamento do álbum? Claro que sim! Estamos com para cima de 50 concertos marcados este ano, continua a haver contactos para se marcar mais, participamos em eventos, as rádios convidam-nos para coisas, as revistas procuram-nos e isso é ótimo. Acho que para álbum de estreia não podíamos pedir mais!

 

  • Qual foi a parte que mais gostaram de fazer no álbum: escrever ou gravar?

Guilherme- Eu acho que a parte de gravar foi mesmo a experiência, acaba por ser a primeira experiência num estúdio a gravar o álbum. Nós já tínhamos tido essa experiência quando gravámos os dois singles, o Falar a Dois e o Distância, que foram os nossos primeiros, mas nada se compara à experiência de gravar o álbum. Ainda por cima fomos para um estúdio na zona de Vila Nova de Gaia, numa antiga casa de vinho do porto “Serafim Borges” que foi recuperada. Foi feito um estúdio por baixo e loft, onde nós morávamos, por cima. Então, basicamente nós estávamos a morar dentro do estúdio. Chegava às nove da manhã, bastava descer as escadas e estávamos no estúdio prontos para trabalhar e acho que essa foi mesmo a melhor experiência.

 

  • Vocês escrevem em Português, acham que a língua portuguesa está a cair em desuso ou a voltar?

Todos- A voltar, definitivamente.

Guilherme- Felizmente há dois/três anos para cá, que a música portuguesa tem aumentado a nível de audiências de portugueses porque a malta portuguesa ouvia muita música internacional e acho que a pouca música que ouviam assim verdadeiramente portuguesa era o fado por ser património também.

João- E temos estado a ter uma experiência bastante boa, escrevendo em português, a ver isso durante o ano passado e este ano. Por exemplo, o ano passado fomos ao Sudoeste e tocámos num palco onde só atuaram artistas e bandas portuguesas, estivemos no Caparica Primavera Surf Fest e o nosso dia e acho que os outros também apenas atuaram artistas portugueses. Estivemos com a Carolina Deslandes, com o Jimmy P a partilhar palco e isso é ótimo, ver que há esses festivais que apoiam a 100% a música portuguesa e que as pessoas aderem e procuram os artistas portugueses e as bandas portuguesas.

 

  • Acham difícil escrever em português?

Guilherme– Sim. É mais fácil no sentido de que em português é que nós conseguimos expressar as nossas ideias e as nossas mensagens e sentimentos. No entanto, é mais difícil porque a língua portuguesa é muito matreira na rima e com a métrica, é difícil encontrar as palavras exatas para a métrica da música que estás a fazer.

Mário- E não só, às vezes é difícil encontrar palavras que não caiam no banal de rimas básicas, de rimas fáceis, porque as pessoas em português como percebem vão julgar logo e dizer: “Ah fácil”; “Ah já ouvi”, então temos de nos esforçar.

Guilherme- É basicamente quereres fazer uma coisa poética, mas que faça sentido e que seja fácil de entender ao mesmo tempo, o que acaba por ser um bocadinho complicado.

Mário- Temos de alargar muito o nosso vocabulário. Quando começámos todos a escrever foi exatamente da mesma maneira, tivemos de alargar os nossos horizontes em termos de vocabulário porque queríamos dizer uma coisa, para não parecer banal tínhamos de ir dar a volta, encontrar palavras novas para nós e sinónimos para dizer exatamente a mesma coisa sem parecer a rima do “pão com mão”.

 

  • Em que artistas se inspiram para a vossa música?

Guilherme- Nós identificamo-nos bastante com Os Azeitonas, mesmo a parte do nosso espetáculo e das harmonias de vozes acho que é definitivamente Os Azeitonas. Claro que depois temos muitas influências, tanto portuguesas como internacionais, mas acho que o que caracteriza melhor os ÁTOA é mesmo o estilo Azeitonas.

 

  • Vocês sentem-se comparados com outras bandas portuguesas, nomeadamente os D.A.M.A?

Mário- Já ouvimos comparações, mas não nos sentimos comparados porque são coisas totalmente diferentes. Temos parecenças, somos jovens, cantamos em português e somos rapazes. Mas, no resto…. Temos algum fundinho de parecido, em algumas músicas, por ser pop. Se o que está na moda agora é isto não vamos andar a cantar Heavy Metal, até podíamos cantar, mas não o vamos fazer.

João- Nós já nos cruzámos várias vezes com eles na estrada e fora da estrada. Nós também sabemos, claro, a realidade do público e o que as pessoas acham, e há uma coisa que em Portugal acontece, felizmente ou infelizmente, que é: nós partilhamos o mesmo público, tanto ÁTOA, como D.A.M.A, como Agir, como Diogo Piçarra, como Carolina Deslandes, porque Portugal tem uma massa de fans “pequena”. Para além disso, é normal que as pessoas vão fazendo prateleiras e, até foi o Agir que comentou isso connosco, vão fazendo prateleiras e têm que encaixar e têm aquela necessidade de “Ok, os ÁTOA apareceram depois dos D.A.M.A então, os ÁTOA são D.A.M.A.”, “os HMB apareceram depois dos Expensive Soul então, os HMB são Expensive Soul”. Mas isso não acontece e, até há grandes diferenças, por exemplo, os D.A.M.A são 3 vocalistas, nós somos os 4 músicos (Mário- mas nós também somos 3 vocalistas). Nós tocamos instrumentos, os D.A.M.A tocam também claro, mas não tão assumidamente como nós, nós o estar em palco é aquilo que nós somos. Nós subimos 4 pessoas ao palco, gravamos 4 em estúdio, aparecemos 4 nas fotografias, só não cantamos os 4 porque o Mário estava doente ao início e depois nunca calhou. Mas é o que o Guilherme estava a dizer: somos da mesma geração, vivemos o mesmo nas nossas infâncias, sentimos o mesmo. E se ouvirem os dois álbuns vão ver que os três (dois deles e um nosso) são completamente diferentes.

Guilherme- Há também um fator muito importante que é: nós neste momento, com o Pouco de Sol, só temos 3 singles lançados e é bastante claro que o Falar a Dois e o Distância vão bater exatamente no pop. As pessoas tendo apenas disponível isso no Youtube e, como singles, efetivamente são as músicas, principalmente a Distância, com que nós somos conhecidos enquanto ÁTOA e, portanto, as pessoas também têm pouco material disponível para poder comparar efetivamente. Mas, era como o João estava a dizer, se ouvirem o álbum não tem nada a ver um com o outro.

 

  • Qual foi o momento em que se aperceberam que eram famosos e tinham um impacto nas vidas das pessoas?

Mário- Não somos famosos

João- Mas há aqui uma coisa que nós comentamos muito e que é verdade que é eu acho que os ÁTOA enquanto ÁTOA não são famosos, o que é famoso nos ÁTOA é a Distância e os nossos singles. Há muitas pessoas que chegam ao nosso concerto e, nós por acaso reparamos nisto, que é estão o concerto todo a ver e nós começamos a tocar a Distância e a reação é: “Isto é deles? Como assim?” As pessoas conhecem os singles e isso é bom, isso é bom porque nós estamos cá para vender a nossa música e é esse o nosso objetivo enquanto compositores e enquanto músicos, é levar as nossas músicas, é levar aquilo que nós fazemos e criamos e não as nossas caras.

Mário- Exato, a fama é uma consequência da nossa música ficar conhecida. A nossa fama, em termos de reconhecerem as caras, é uma consequência de aquilo que nós fizemos de melhor e aquilo que nós sabemos fazer está a ficar conhecido, então as pessoas vão à procura de quem é a cara daquilo que estão a ouvir.

João- A influência [nas pessoas] vimos um bocado com as nossas letras, já há muitas pessoas a dizer “Hey aquela música faz todo o sentido, completamente, percebo, aquilo passa-se na minha vida, acontece” identificam-se muito com as músicas e é um bocado aí que acho que influenciamos e entramos um bocado na vida das pessoas.

 

  • Qual foi a coisa mais bizarra que algum/a fã fez por vocês?

João- Em Santarém invadiram-nos o palco e foi novidade para nós.

Todos- Pedir assinaturas em sítios estranhos

Mário- Dizerem-nos: “Tu não me respondes, tu não dizes nada” quando nós nunca falamos com a pessoa na realidade e começam-se a zangar connosco nas redes sociais por causa disso.

 

  • Quais são os vossos artistas favoritos do momento?

Mário- Carolina Deslandes

João- HMB

Rodrigo- HMB

Guilherme- Miguel Araújo

 

  • Se só pudessem ouvir um álbum para o resto da vossa vida?

Mário- Back in Black- AC/DC

João- Pet Sounds- Beach Boys

Rodrigo- Multiplicity- Dave Weckl

Guilherme- “Crónicas da Cidade Grande” – Miguel Araújo

 

  • Vocês continuam a estudar todos na universidade?

João- Há uma coisa que nós costumamos dizer muito que é, mais vale um pássaro na mão do que dois a voar e ia ser impossível estarmos a 100% nos ÁTOA e a 100% na universidade. Temos de ter noção de uma coisa também que é ambas as coisas são investimentos e eu acho que estarmos a perder tempo na universidade e a perder tempo nos ÁTOA ao mesmo tempo, mais vale investir numa e depois se quisermos na outra porque acaba por não ser uma coisa que nós fechamos. Se nós deixássemos os ÁTOA neste momento podíamos estar a perder uma oportunidade de vida, a universidade é uma coisa que daqui a 2 anos, 3, 4 podemos voltar.

Mário- Deixa-me só dizer uma coisa, não deixem de estudar por causa da música. Tenham um contrato nas mãos e depois sim pensem nisso. Não sejam malucos.

João- Estudar é muito importante e nós temos noção disso e todos nós, tenho a certeza, que independentemente de ser universidade ou o quer que seja, todos nós vamos fazer formação ou licenciatura ou o quer que seja. E vivemos num mundo que todos os dias evolui, portanto, acho que todos nós temos noção que vamos sempre aprender até ao fim das nossas vidas.

Mário- Eu e o Guilherme chegámo-nos a inscrever na universidade, o guilherme primeiro que eu, mas entrou para o curso de matemática que neste momento está congelado, que congelou não porque não vai fazer o curso e quer desistir, mas sim, porque neste momento não faz sentido estar a conciliar. Eu também entrei para relações internacionais também na universidade de Évora.

 

  • Se conhecesse agora uma pessoa que nunca tinha ouvido ÁTOA o que lhe diziam para a fazer ouvir?

Mário- É música feita em português, por 4 gatos de 19 anos que têm muito amor à música.

João- Eu acho que dizia assim: “Neste caso a distância pagou-se cara” e a pessoa dizia assim: “Isso é teu?” e eu “Sim”.

 

Entrevista: Joana Martins;

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