BROCKHAMPTON no Irving Plaza: estes miúdos dão espectáculos como gente grande.

Wow! Mas que bela maneira de começar a temporada de concertos em 2018. Estou de férias em Nova Iorque e aproveitei a ocasião para ver alguns concertos que se realizam nas mais míticas salas de espectáculos da cidade norte-americana. Os BROCKHAMPTON foram a minha primeira escolha, não só pelo mediatismo “merecido” que têm recebido nos últimos tempos mas também por terem editado três grandes discos em 2017.

Três concertos esgotados, eu marco presença no segundo. (Gosto sempre de ir à segunda ou à terceira noite quando um artista se apresenta na mesma cidade. Apesar do cansaço acumulado, os artistas conseguem corrigir erros que aconteceram nas noites anteriores e sabem lidar melhor com as condições da sala). E se os BROCKHAMPTON se intitulam de “boy-band” agora consigo perceber o porquê… Lembram-se dos fãs lunáticos que dormiam perante condições meteorológicas adversas à porta das salas de espectáculos à espera de artistas como One Direction, 5 Seconds Of Summer e assim? Isso também acontece com a banda de Kevin Abstract.

Cheguei ao “Irving Plaza” por volta das 18:15 e assustei-me, o concerto estava marcado para às 21:00, às portas só abriam às 20:00 e já estava uma multidão. Dou “aquela de sabichão” e fui dar uma volta até porque, como acontece em Portugal, depois das portas abrirem a fila desaparece num instante. Mas lá está, isto não é Portugal. É Nova Iorque e em Nova Iorque parece que estas salas de espectáculo não têm a melhor organização.

19:20 quando fui para o final da fila e parecia que estava na fila para a abertura de uma “loja da moda” (não queria escrever “supreme” mas não sei se percebes a expressão “loja da moda”). Uma fila que dava a volta ao quarteirão (não tens noção, quando eu digo “volta ao quarteirão” quero mesmo dizer “volta ao quarteirão), com jovens vestidos às cores aguardando impaciente pela sua vez de entrar na sala.

Ao fim de 2 horas. Sim 2 horas de espera a levar com vento e com -8º (as portas só abriram uma hora depois do previsto e o concerto atrasou-se) consegui entrar na sala e aí ví mais uma fila enorme, claro que o meu coração começou a disparar intensamente até que percebi que era apenas uma fila para comprar merchandising exclusivo da banda (então mas porque é que inventaram as lojas online?).

Pela primeira vez, numa sala de concertos em NY comecei a adaptar-me a um novo ambiente: olho em todas as direções, capto o máximo de movimentos das pessoas ao meu redor e vou partilhando o que se passa no Twitter. E é aqui que acontece o primeiro grande momento da noite. Descubro no Twitter que Anthony Fantano (O gajo mais fixe da Internet) está na plateia. (off-topic: mandei dm e ele respondeu, vão acontecer cenas, mas isto é outra conversa.).

O concerto começou com “BOOGIE” e acreditem, eu não sabia que os miúdos tinham tanta “pujança”. Fui completamente abalroado mal o Romil, produtor e DJ do grupo, clicou no play. Imagina cerca de mil jovens a saltarem e a serem empurrados de um lado para o outro. ÉPICO.

Assim começou o espectáculo dos BROCKHAMPTON. Kevin, Joba, Ameer, Merylin, Dom, Romil e Matt apresentam-se com os habituais fatos-macaco laranja, com uma energia frenética de alguém que acabou de sair da prisão.

Em conexão total com o público, a banda nem parecia estar em digressão há já algumas semanas ao arrasar numa sala de espectáculos que é, definitivamente, demasiado pequena para um grupo da sua dimensão.

Seguiu-se “QUEER” e sem dar por isso vem logo “STAR” (WOW, WOW, WOW), ninguém contava com essa música logo como terceira no repertório. A banda pede para abrir um moshpit e antes mesmo da música começar já se via a malta aos saltos e aos pontapés, como se estivéssemos num concerto punk no início dos anos 90 (sim eu sei, nunca estive num mas já vídeos), que atmosfera!

3ª música e já se via hipsters de Nova Iorque a abandonarem a zona média da plateia, indo para uma zona “mais segura” lá atrás. O ritmo continuava intenso com “GUMMY” mas foi em “FACE” que tivemos a primeira oportunidade para descansar, pegar nos telemóveis, tentar sacar uma fotos para o Instagram e apreciar a bela obra de arte que é “FACE”, uma música que fala sobre o conceito de um amor perdido e a dor que o acompanha.

Veio “ZIPPER”, “SWAMP” e “GOLD” e foi aí que percebemos: estes miúdos dão espectáculos como gente grande. É muito mais do que a música: as luzes, a vestimenta, o posicionamento dos membros em palco, está tudo pensado e alinhado na perfeição. Nota-se trabalho e vontade de mostrar o que ainda não foi feito!

O espectáculo continuou com um repertório que poderia ter sido alinhado de outra maneira, apesar da banda ter apresentado praticamente todos os temas dos 3 discos, houve demasiadas “série de temas pesados”, depois “série de temas mais calmos”: agora mais pesados, agora mais calmos, e por aí fora…

Nunca sabias ao certo em que mood deverias estar na próxima música.

Até que todos saem do palco e subiu Bearface, o membro que todos pensávamos que tinha ficado na Irlanda do Norte (de onde é natural). Acompanhado por uma guitarra, começou a tocar os primeiros acordes de “SUMMER” (que para mim é uma das 100 músicas para se ouvir na primavera *wink*) e “TEAM” criando um momento mais melancólico do espectáculo para pensarmos e refletirmos sobre as nossas vidas.

O momento acabou, Bearface abandonou o palco sempre cabisbaixo (deve ser por ter de voltar para a Irlanda do Norte – eheheh – it’s a joke) e temos o encore. Sobem outra vez todos os elementos e aqui é que o clima muda totalmente. Se fora do Irving Plaza estavam -8º, lá dentro deviam estar 80. Muito por causa de “HOOTIE” e “HEAT” dois temas que deram atestados de febre a todos os presentes no concerto.

Seria uma bela maneira para acabar o segundo espectáculo em Nova Iorque mas que tal elevarem ainda mais a fasquia? Foi exatamente isso que eles fizeram, voltaram a tocar a “STAR” mas não apenas uma vez. 3 VEZES! SIM! ELES TERMINARAM O ESPECTÁCULO A TOCAR 3 VEZES A “STAR”, uma delas com a intro da “BOYS”, epá que épico. Só de me lembrar disso, estou a sentir arrepios.

Posto isto, espero que Portugal esteja incluido na lista de paragens dos BROCKHAMPTON este verão quando embarcarão numa digressão europeia que até já tem datas anunciadas na Finlândia, Suécia e Dinamarca.

“good job boys”.

Texto e Fotos: Fábio Lopes (Conguito)

Equipa

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