Coliseu do Porto já teve dias melhores mas a situação atual podia ser pior.

O Coliseu do Porto está numa situação “delicada”, conforme foi anunciado ontem em conferência de imprensa. Neste momento, são necessárias obras de reabilitação do edifício avaliadas em cerca de 6 milhões de euros, que obrigariam o Coliseu fechar portas durante um ano, mas ainda não há certeza quanto à concretização das mesmas.

São várias as condições que impedem o avanço da reabilitação de um dos edifícios mais emblemáticos da cidade do Porto, vamos tentar explicar-te de uma forma leve:

  • O plano só poderá avançar com a intervenção da Empresa Municipal de Cultura do Porto (EMCP) mas a EMCP ainda não existe;
  • O Tribunal de Contas rejeitou a proposta da Câmara Municipal do Porto para a criação desta empresa que será destinada a assegurar a gestão e programação de equipamentos culturais municipais da cidade;
  • O Tribunal de Contas refutou a proposta afirmando que não seria sustentável do ponto de vista económico;
  • A Câmara Municipal está proibida por lei a fazer um investimento numa estrutura privada como o Coliseu portanto teriam que negociar um trespasse do Coliseu da Associação Amigos do Coliseu para a Câmara Municipal do Porto (Se isto for avante, não deverá ser um problema visto que os principais accionistas da Associação Amigos do Coliseu são membros da Câmara do Porto, Área Metropolitana do Porto e Ministério da Cultura e estão de acordo);
  • Mesmo que a Câmara Municipal do Porto passe a ser proprietária do Coliseu, o novo modelo de gestão capaz de permitir a intervenção da Câmara só é possível com a tal EMCP que ainda não existe.

O Presidente da Câmara, Rui Moreira já se pronunciou sobre o assunto dizendo que “Esta é a altura de investir, para que o Coliseu não feche por uma situação de urgência, mas por uma questão de planificação”, argumentando ainda: “Não podemos deixar que aconteça aqui o que aconteceu no Mercado do Bolhão”.

A Câmara e a Associação Amigos do Coliseu continuam a procurar soluções e até passam pela participação privada. Em breve, deverá ser aprovado um contrato com a seguradora Ageas, em que esta se compromete a apoiar financeiramente o Coliseu, como contrapartida de ter o seu nome associado à sala de espectáculos. Se o contrato (no valor 900 mil euros) for aprovado, a seguradora avançará já, este ano, com um apoio de 210 mil euros. Os restantes 90 mil, que atingem os 300 mil euros de apoio anual, garantidos por três anos, deverão chegar aos cofres do Coliseu através de outra forma (que nós não sabemos porque não foi revelado ao certo).

Em contrapartida, o nome da Ageas passa a estar associado ao Coliseu, que deverá passar a ser denominado como “Coliseu Porto Ageas”. O nome da seguradora também deverá passar a aparecer na cortina da sala de espectáculos principal.

Seja como for esperemos que o Coliseu do Porto, fundado em 1941, continue em funcionamento por muitos mais anos e que seja casa de grandes espectáculos.

 

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