LISB-ON Jardim Sonoro 2016: “O melhor estava mesmo guardado para o fim”.

Desde muito pequeno que me lembro de odiar Setembro, é um mês triste. Os amigos de verão acabam por se ir embora e chega o habitual regresso às rotinas, este ano não é exceção e bastou chegar o dia 1 para me sentir mega nostálgico.

Melancólico por entrar no “pior mês do ano” e com toda azáfama que aconteceu nesta temporada de festivais, acabei por me esquecer que ainda estava destacado para mais um, o Lisb-On Jardim Sonoro! Que apesar de se localizar a pouco mais de 5 minutos da minha casa, nunca tinha marcado presença no festival. Agora em 2016 as coisas seriam diferentes, há Jungle no cartaz, um nome que não me faria perder a edição deste ano por razão alguma, mas já lá vamos.

Sexta-feira à tarde e lá vou eu dar um salto ao Marquês de Pombal. Quando chego enfrento o primeiro momento engraçado do festival – Por acaso não eras tu que andavas farto de fazer crowdsurfing no Paredes de Coura? Pergunta-me o segurança, bastante assustado com a possibilidade de voltar a repetir o feito. Tranquilizo-o respondendo: “Sou sim mas agora estou em trabalho”, não é que não estava em Paredes apenas as circunstâncias são diferentes…

lisbon

Entro e vejo um festival diferente, parece que já tinha estado ali. Ok, já estive em diversas alturas do ano quando não há festival mas o ambiente, a música, o tipo de pessoas até os patrocínios faziam-me lembrar alguma coisa e até que percebo, estou numa versão paga e mais elitista do OutJazz misturado com a Modalisboa. Aqui tudo é caro, uma cerveja 2,50€, uma água 2€ e, por onde quer que olhes parece que só vês pessoas acabadas de sair do seu trabalho na agência de publicidade ou então da novela que passa em horário nobre. Ok. Se calhar estou a ser um bocado preconceituoso, qualquer pessoa pode ir ouvir música, o que quero tentar dizer é que todas as pessoas ali presentes tinham o mesmo estilo, rapazes que passam a vida no ginásio a tentar conquistar a menina que passa o verão no Algarve e mete nas localizações das suas fotos na discoteca “Bliss – Zona Vip”. E um bocado assustado com o que vi e ouvi acabei por abandonar o recinto ainda antes das 21:00.

Sábado! Sábado era diferente, há coisas muito boas no cartaz e que tocam cedo. Algo que me faz acordar cedo, almoçar rápido e meter-me a caminho do festival. Ainda a tempo de ver Surma a tocar – Yey, missão completa com sucesso. Surma é daqueles nomes que ando debaixo de olho já há algum tempo. Conheci-a através do seu single presente no disco “Novos Talentos Fnac”, despertou-me interesse mas depois de pesquisar muito mais sobre ela não encontrei muitos temas online, ou seja, há melhor sítio para conhecer mais de um artista do que assistir a um concerto seu? Mas que belo concerto, sozinha em palco, Surma apresenta-se num formato “One Girl Show”, com guitarra ao peito, sintetizadores ao lado, microfone à frente e um público deitado à sombra assistindo ao belo momento “chill” que se protagonizava naquele palco.

surma1

Depois de Surma, ansiava por ver Sensible Soccers. Este novo disco da banda está mais do que bom e ainda não tinha tido oportunidade de assistir a um concerto de apresentação deste novo trabalho. Felizmente, o consegui fazer no Lisb-On e facilmente percebi: “gostava tanto de ver estes gajos a tocar às tantas da madrugada num festival mais intimista” – A electrónica dos Sensible Soccers faz-nos viajar por terras nunca antes exploradas e eu, adoro, mas ouvir às 16:15 debaixo de um sol abrasador não era bem o ideal. Espero ter oportunidade de voltar a ver banda, num sítio mais intimista, rodeado por outras pessoas. Por outras palavras, noutras circunstâncias.

sensible-soccers1

Ok. 17:30 e as coisas que quero ver por hoje acabaram portanto começo a pensar em ir embora mas assim que viro as costas os Azymuth sobem ao palco e eu decido dar 10 minutos para que os brasileiros com 42 anos de carreira consigam convencer-me a ficar. Resultado? Wow, que bom! Eu não estava preparado para a boa vibe dos 3 “avôs” brasileiros, a mistura do smooth jazz com o samba estava praticamente perfeita e metia toda a gente presente no recinto a alternar os passos de samba com um swing que costumamos mostrar apenas nas festas de aniversário daquele amigo que ouvia música meio “maluca”. E agora sim, apercebendo que para mim, o dia, não podia melhorar, visto que, os próximos donos do espectáculo são artistas dedicados ao mundo da electrónica que não é a minha cena abandono o recinto e anseio pelo dia seguinte.

Domingo! O almoço de Domingo é uma das coisas mais sagradas em casa dos meus pais. O almoço e aquele prato oriental que eu parti há uns 10 anos quando jogava à bola dentro de casa. Ou seja, o almoço faz atrasar-me e já são cerca de 17:00 quando chego ao “último dia do último festival de verão deste ano”, ui dito assim até parece que magoa o coração.

publico

Mas, sem pressões, ainda chego a tempo de ver Jungle, uma das minhas bandas preferidas que infelizmente não tinha conseguido ver , anteriormente, nas suas duas passagens por Portugal. Os Jungle lançaram o seu disco em 2014 e desde então que me conquistaram por completo, prova disso é que o disco está nas lojas há pouco mais de dois anos e eu ainda o oiço todas as semanas, mas não vou dispersar, vamos lá falar do concerto em si. 18:45, começamos a ouvir música mas não conseguimos ver agitação nenhuma no palco. Passam 10 minutos, a típica música de elevador continua a tocar e a minha mini-ansiedade cada vez mais a aumentar, até que começa “Platoon” e entram os 7 membros da banda cheios de estilo e muito groove e rapidamente tomam controlo total da festa e entram em sintonia com o público que atinge a maior enchente do fim de semana. E agora pede-me para descrever o que vi e ouvi durante um concerto de 55 minutos? Bem, não consigo explicar. Foi lindo, foi algo mais que mágico, o melhor estava mesmo guardado para o fim. Apesar de curto houve tempo para tocar o álbum homónimo na íntegra, tendo ficado “Busy Earnin” e “Time” reservados para fechar a festa e foi mais do que suficiente para entrar na lista dos melhores concertos desta temporada de festivais de verão.

jungle1

Quanto ao Lisb-On? Voltarei para o ano, voltarei sempre que quiser (e quiserem) e espero que voltem a apostar num nome forte como foi Jungle este ano. Mas com preços bem mais baratos.

Portem-se bem e vemos-nos por aí que a vida ainda é longa.

Texto e Fotos: Fábio Lopes

Equipa

Deixar uma resposta