“O que é que ouves? Boa música” Por: Fábio Lopes

Conguito CDs

Numa manhã feia de domingo, enquanto bebo o meu chá, oiço Jungle e King Krule, olho em frente para a minha coleção de CDs e penso que como noutros tempos seria impossível encontrar artistas tão diferentes lado a lado. Se tivessem oportunidade de olhar iam perceber que apesar da predominância do Hip Hop iam encontrar de tudo um pouco e isso é uma prova que as preferências pelos géneros se têm vindo a dissipar. As pessoas deixaram de gostar afincadamente de um só género e começaram a gostar de artistas.

Existem vários motivos, reparei nisso há pouco tempo, mas sei bem porque é que tal coisa aconteceu comigo, a influência da irmã mais velha – malditos irmãos mais velhos. Lembro-me perfeitamente de ter 5/6 anos e ser obrigado a gramar com Limp Bizkit, Korn, Slipknot, Red Hot Chilli Peppers, Gorillaz, Stardust, Daft Punk, Groove Armada, Da Weasel entre outros, podia preencher esta página com os 10 mil artistas que a minha irmã ouvia diariamente, quando eu só queria ouvir os Santamaria e os Excesso.

Eu tenho 88 amores ❤️

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A verdade é que 15 anos depois consigo perceber que isso contribuiu imenso para a minha vida, a diversidade abunda no meu gosto musical e como eu aposto que há milhões. Já não se gosta de um só género, isso são tretas do passado.

Rapidamente as gerações contemporâneas compreenderam isso. A pita fã de One Direction, que vai acampar cinco dias antes para a porta do Estádio do Dragão, já pode ouvir Tame Impala enquanto vai para a escola. O adolescente que está na fase da rebeldia a aprender os primeiros acordes de guitarra das músicas dos Metallica, chega a casa e ouve o “The Real Slim Shady”, Eminem. Por outras palavras, já não tens a obrigação de ouvir apenas Rock porque o teu grupo de amigos só ouve Rock.

Conguito CDs 2

Neste assunto até são os próprios adultos que têm mais dificuldades, mas isso deve-se ao facto de serem os mais influenciados do mundo. Eles “papam tudo o que lhes metem à frente”, conseguem passar de Beatles, Pink Floyd, Jorge Palma, Rui Veloso, cenas espetaculares do seu tempo, para a família Carreira, Anselmo Ralph, Badoxa e todo esse lixo musical…

“Mas como assim és preto e não gostas de Kizomba?” Nunca precisei de gostar do género para me sentir ligado culturalmente com as minhas raízes. Confesso que, às vezes, até sou um puto de modas e tendências, é normal estou na casa dos 20, mas esta febre da Kizomba falsa e comercial que nos é embutida diariamente nas rádios, novelas, e agora até em festivais, é uma bosta… Kizomba não é a única coisa que existe em Angola e artistas como Aline Frazão, Nástio Mosquito e MCK, artistas praticamente desconhecidos do público em geral, dizem-me muito mais do que qualquer outra estrela “Kizombática” do momento.

Mas não me perdendo do assunto principal que até parece ser bastante cliché: já não se pode catalogar as pessoas, os grupinhos, consoante a aparência. Não é por eu ser preto que sou o maior fã de Kizomba, não é por ele ser hipster que não pode ir ao concerto de NOFX (Portanto Fat Mike és uma m****). A música está cada vez mais universal, quando te perguntarem “quais são os géneros musicais que ouves?” vais poder responder: “Boa música”.

Texto por: “Fábio Lopes conhecido no mundo como Conguito”.

Fotos: Buzz Team/ThisIsOurWork!

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