Reverence Valada 2016: Como ver boa música alternativa.

O Reverence Valada 2016 perfilava-se como a maior oportunidade de ver boa música rock alternativa e fez mais que cumprir.

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Photo: Roberto Roque

Chegamos a esta aldeia de menos de 900 habitantes ainda terça-feira e tivemos tempo para apreciar a calma e beleza do alto Tejo. Quarta-feira à noite já o campismo estava bem composto e a organização quis dar as boas-vindas com um pouco de música ao vivo. Muito boa iniciativa que infelizmente acabou por acabar por volta da meia-noite, sendo que a música continuou em playlist com menos selectividade e bom senso (muito alto, muito perto, até muito tarde). Esta situação originou bastante intranquilidade entre os campistas mais infantis, que decidiram acompanhar com mais barulho, gritos e a sua própria música. Uma situação menos feliz mas que, a par de alguma insuficiência em número e limpeza de casas de banho, foram as únicas questões a resolver no que foi de resto uma boa experiência de campismo.

Quinta-feira começaram os concertos e o 800 Gondomar deram um bom pontapé de saída. No entanto seriam os também portugueses Sun Mammuth e The Sunflowers a realmente brilharem com performances bem distintas. Enquanto os “mamutes do sol” oferecem um concerto ideal para relaxar, os muito originais “girassóis” parecem não estar interessados em acalmar a festa. Ambos muito intensos e a valer a atenção futura. Seguiram-se várias actuações estrangeiras menos interessantes que as até já mencionadas, exceptuando o interessante som dos Blaak Heat. Por fim, o grande nome da noite e um dos principais pontos de interesse do festival, a actuação de The Oh Sees. Cada música foi ainda melhor que a anterior, graças à personalidade do vocalista e guitarrista e à espectacular coordenação dos dois bateristas.

Com uma introdução tão boa percebemos que o nível médio de performances ia ser elevado e que o horário dos concertos pouco iria dizer sobre a intensidade de actuação. Por isso sexta-feira fizemo-nos ao recinto às 15h da tarde e antes do jantar já tínhamos visto cerca de 11 concertos, dos quais destacamos The Papermoon Sessions, os portugueses Miss Lava e o épico Silver Apples. Depois foi tempo de apreciar um dos mais completos concertos do festival: Fat White Family. Irreverentes e trabalhadores, deixaram a sua marca e esperamos que voltem muito em breve. Depois foram Dead Meadow, Brian Jonestown Massacre e The Reaveonettes a cumprirem as expectativas com boas e intensas performances, mas o momento alto da noite só viria com o concerto de A Place to Bury Strangers. Muito fortes do início ao fim, proporcionaram o momento mais insólito e espectacular do festival com um crowdsurf do guitarrista até à frente da régie, onde encontrou o baterista e por largos minutos improvisaram uma música fora de palco. Muito (mesmo muito) arriscado e interessante. Japonese Girl também proporcionou bons momentos mas, já pelas 3h, o público resistente só queria Ozric Tentacles. Uma performance muito agradável e consistente mas que cuja opção pelo horário tardio condicionou.

Mais cansados e satisfeitos que nunca, voltámos ao recinto sábado pelas 17h e fomos logo presenteados com Papir (com 2 elementos do projecto The Papermoon Sessions). No entanto, com as mudanças de horário por cancelamento de Killing Joke e um menos forte conjunto de concertos, apenas tivemos novamente um concerto memorável com The Quartet Of Woah!. Estes portugueses fizeram tudo bem e alimentaram a esperança na música rock portuguesa, curiosamente tocando antes do novo projecto de Adolfo L. Canibal. Depois do jantar foram os concertos dos veteranos Nik Turner’s New Space RitualThe Damned e The Sisters Of Mercy que nos encheram as medidas musicais, sendo que a nível de interactividade tem de se destacar a gloriosa performance dos britânicos formados à exactamente 40 anos, os The DamnedWith The Dead foi o último grande concerto que conseguimos apreciar do início ao fim e recomendamos, sendo que das últimas bandas a tocar no festival destacamos o que vimos das performances de Radar Men From The Moon Mars Red Sky.

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Concluindo, 2016 foi um óptimo ano para se ver rock em Valada e esperemos que o nível se mantenha para bem da cultura festivaleira portuguesa.

Texto: Pedro Cisneiros
Fotos: Organização

Equipa

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