#ThrowbackThursday: Nat King Cole.

Mais uma semana, mais um TBT. Há algo de muito bonito quando ouvimos pela primeira vez um álbum e vemos a vida através dele. Assim que a primeira nota se ouve nós sabemos que aquele álbum vai ficar connosco e que aquele momento vai ser gravado com aquela música de fundo.

O carro estava carregado. Estava frio lá fora. Eram as férias da Páscoa e partíamos para Espanha para um fim-de-semana. Saímos cedo e viajámos durante umas longas horas.

Os meus pais tinham comprado um álbum do Nat King Cole em espanhol há pouco tempo e assim que nos sentámos no carro, puseram-no a tocar. Lembro-me vividamente de ouvir as músicas ecoar pelo carro enquanto éramos só nós os quatro e a estrada.

As letras de “Cachito”, de “Quizas, Quizas, Quizas”, Aquellos Ojos Verdes”, Solamente Una Vez” nunca mais sairam da minha cabeça. Para os meus ouvidos de 10 anos aqueles eram os mais bonitos sons.  Mas mais do que a genialidade de Nat King Cole, da sua voz reconfortante e o quentinho que sentia a ouvi-la, marcou-me a forma como os meus pais reagiam à música. Cantavam e dançavam euforicamente à frente. Entreolhavam-se apaixonados. O meu pai sussurrava de vez em quando uma letra no ouvido da minha mãe. E diziam alto “Isto é que é música!”

Tornei-o a ouvir mais tarde, nesse natal, na viagem até casa dos meus avós. Ainda estava mais frio e Nat King Cole tornava o Natal ainda mais palpável.

A partir desse ano nunca mais consegui ouvir Nat King Cole sem me lembrar de ter 10 anos e de me rir com a minha irmã ao ver as danças dos nossos pais e de toda a felicidade caber numa Passat Volkswagen.

Texto: Joana Martins

Equipa

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