Tudo o que precisas de saber sobre os BROCKHAMPTON, o novo colectivo do mundo Hip Hop.

Nos últimos anos, têm surgido imensas “crews” no mundo do Hip Hop. A$AP Mob liderado por A$AP Rocky, de onde saíram nomes como A$AP Ferg ou A$AP Ant, temos também os OFWGKTA, de Tyler The Creator onde se destacaram nomes como Frank Ocean, Earl Sweatshirt, entre outros… Agora chegaram uns novos míudos que estão prontos para deixar a sua marca no movimento, são eles os Brockhampton.

Os Brockhampton são o novo coletivo do momento. Liderados por Kevin Abstract, o grupo de jovens criativos à volta dos 22 anos de idade, vem de San Marcos, Texas e a história da sua fundação já tem a sua particularidade. O grupo foi formado a partir de um fórum da Internet, mais precisamente do fórum KanyeToThe, um fórum onde não se discute a vida amorosa de Kanye West mas sim a atualidade do mundo Hip Hop.

Até agora, há 3 trabalhos discográficos que marcam a carreira dos Brockhampton.

“All American Trash”, uma mixtape, lançada em 2016, que serve de janela aberta da banda para o mundo. É aqui onde vemos um Kevin Abstract mais afastado dos temas, para não se apegar tanto o projeto só a Kevin Abstract e sim a todos os outros elementos que se apresentavam (Kevin entra apenas em 3 dos 13 temas do disco mas assina-o como Produtor Executivo). É uma mixtape estranha, a produção ficou toda a cargo dos membros do colectivo, mais especificamente a cargo de Romil e de JOBA, fazem-nos lembrar os Odd Future, às vezes até demais, principalmente numa fase em que Tyler The Creator já se vinha a destacar pelos seus trabalhos a solo e todo o resto do grupo vinha “aproveitando” a boleia do seu talento. O conceito dos Brockhampton é diferente, têm temas onde criticam a atualidade e a hipocrisia do mundo Hip Hop, temas que são retratos das suas aventuras amorosas e “temas crus” (CLARAMENTE “FLIP MO”), feitos por artistas que tinham mesmo de partilhar as emoções ou o quer que seja que tinham guardado nas suas gavetas há alguns meses, provavelmente anos até… e isso faz que com que nem todos estejam na mesma “página” do livro mas ainda assim merece muito a tua atenção.

2017 chegou e os Brockhampton sabiam que tinham de continuar o bom trabalho que tinham desenvolvido no ano anterior e assim conhecemos “SATURATION“, disco de estreia do coletivo lançado em março deste ano, o crítico de música mais fixe da Internet deu 9/10 a este álbum. Aqui já não é só “o projeto do Kevin Abstract” (Apesar de entrar em 15 das 17 faixas) é muito mais que isso e há outros nomes que “roubam o show”, nas vozes Ameer Vann, Dom McLennon e Merlyn Wood e na produção Romil, Kiko Merley e Jabari. Prestem atenção, ainda vamos ouvir falar muito destes rapazes. O conceito do álbum vai muito para o crescimento dos membros do grupo e do desejo de terem sucesso no mundo da música, mas são 17 faixas, será que não se torna aborrecido a meio? Acredita que não!

O álbum é super consistente, criativamente está perfeito, faz-te viajar e quando deres por ti passaram 50 minutos. Tenho de destacar o tema “STAR”, onde Ameer e Kevin passam a música inteira a destacar o facto de quererem ser populares e só fazerem rimas utilizando referências de pessoas famosas. Em “FACE” é o tema mais descontraído do disco que poderia fazer parte de “American Boyfriend”, álbum de Kevin apesar de Kevin não cantar no tema gira todo um conceito de um amor não correspondido e a dor que isso está associado, muito bom. No entanto, é a “GOLD” que eu tenho de atribuir o título de melhor música do disco. Wow, mas que bela vibe, uma música que deixa qualquer um bem disposto. É a típica música do “viemos para partir a casa, quem veio para se divertir, vai-se divertir”. Claramente, um dos discos Hip Hop do ano.

E pronto, SATURATION está lançado a crítica tem recebido bem o disco, estamos a curtir o final do verão e a 25 de Agosto, o que é que acontece? o grupo lança “SATURATION II“. Confesso já. É o trabalho que eu menos gosto do grupo, lá está confirma-se a minha teoria “depois de um álbum muito bom, vem sempre um álbum menos bom”.

Se calhar tenho esta sensação porque já tinha expectativas e já sabia o potencial que os membros me poderiam apresentar. Sinto que o grupo ainda se está a descobrir e a redefinir estilos dentro do seu próprio estilo. As influências ainda estão muito lá, às vezes parece que estou a ouvir Outkast, Odd Future, Frank Ocean, ou até aquele G-Funk da West Coast em 1994, nem sei… Mas atenção, está longe de estar um mau disco, a vibe está lá, temas como “GUMMY”, “SWAMP”, “SWEET” e “TOKYO” destacam-se como singles que transmitem a “coolness” que o coletivo já nos apresentou em trabalhos anteriores e depois temos temas como “JUNKY”, onde transformam-se, mostram que também conseguem ser mauzões e confrontam todos aqueles que questionam a sexualidade, o abuso de drogas, os pensamentos suicidas dos membros do grupo.

E pronto, ainda este ano, mais precisamente para Dezembro está previsto o lançamento de “SATURATION III“, o final da trilogia SATURATION, não sabemos bem o que esperar, como o coletivo já nos provou antes, a imprevisibilidade é uma das caraterísticas que os coloca na lista de artistas que devemos seguir com atenção.

Este artigo foi escrito enquanto tocava “All American Trash”, “SATURATION” e “SATURATION II” e depois de ver a temporada inteira de American Boy Band da VICELAND.

 

 

Kevin Abstract (Rapper)

 

Ameer Vann (Rapper)

 

Matt Champion (Cantor)

 

Merlyn Wood (Rapper)

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Back in my hometown immediately overwhelmingly bored

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Dom McLennon (Artista)

 

Bearface (Artista)

 

Romil Hemnani (DJ e Produtor)

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me after new york. im tired

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Jabari Manwa (Produtor)

 

Kiko Merley (Manager/Produtor)

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hello

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Henock “HK” Sileshi (Produtor Criativo)

 

JOBA (Produtor e Engenheiro de Som)

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SATURATION SZN

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Texto: Fábio Lopes

Equipa

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