“Deixem o João Falar” – Músicos Travestis vs Músicos Fiéis ao Seu Estilo

 

musicos

 

Depois de vários anos sob domínio de uns estilos musicais em relação aos outros, nomeadamente o Rock, Blues e Jazz, começaram a ganhar preponderância no mercado musical outros estilos, até aos dias de hoje em que nos é apresentada uma diversidade de géneros musicais inacreditável. Possivelmente muitos desses estilos já existiam, mas encontravam-se completamente abafados pelo “Boom” que houve com estes géneros, principalmente a partir dos anos 20. Ser músico até aí, era uma profissão olhada com bastante desconfiança pelas pessoas, não garantia estabilidade económica e era praticada sobretudo por pessoas que não tinham aproveitamento noutras áreas e que desenvolviam o seu talento musical.Com o surgimento das grandes bandas, como Pink Floyd, Led Zeppelin, Rolling Stones, The Beatles… sem nunca esquecer os primeiros artistas precursores deste movimento cultural como Muddy Waters, Elvis Presley, Chuck Berry, toda essa desconfiança começou a desvanecer e começou-se a ter outro respeito perante a música e a sua importância na sociedade.

   Era expectável, tendo em conta a evolução, que se tinha assistido que isso acontecesse, e que a música fosse cada vez mais preponderante, os artistas começavam a ser respeitados, admirados na sociedade e a ganhar fortunas com o seu talento. Com toda esta evolução começam a ganhar também preponderância na sociedade o Reggae, o Soul, o Funk… Começava-se finalmente a viver da música. Mas será que esta ideia passava pela cabeça dos artistas que representavam outros géneros musicais que não os indicados? Se calhar passava, mas era tão utópico como o comunismo. Era o sonho de todos os artistas….

   Começamos a olhar em nosso redor, o que é muito importante e parece que as pessoas às vezes se esquecem de o fazer, e começamos a pensar como é que de um dia para o outro, perdoem-me o exagero, passou a ser tão fácil ser artista e ganhar dinheiro com a música? Antigamente nem todos conseguiam alcançar o sucesso e as editoras cortavam as pernas a muitas pessoas que queriam singrar no mundo musical e que muitas vezes esbanjavam talento, agora quando isso acontece, lançam-se no mundo da música de forma independente ou apoiadas por editoras de caráter duvidoso e muitas vezes sem um pingo de talento vingam, formando falanges de apoio imensas e pés-de-meia bilionários.

   Ora quando se chega ao ponto em que esta situação se verifica, os próprios artistas colocam-se numa situação difícil; ou trabalham arduamente para, fieis ao próprio estilo, procurarem inovar e evoluir o seu talento, procurando alcançar objetivos que não o “cifrão”, sendo esse apenas um beneficio do seu trabalho, ou seguem a “carneirada”, procurando enriquecer da maneira mais fácil, mais á conta da sua imagem do que das cordas vocais, do seu estilo musical do que propriamente da sua criatividade e talento. Tudo isto era muito fácil de resolver, dividindo-se os artistas em dois grupos consoante a análise de cada pessoa, mas o problema é bem mais profundo do que parece, pois existem, (utilizando o exemplo dos carneiros que referi anteriormente) vários carneiros tresmalhados que querem e fazem tudo para pertencer ao rebanho, mudam o seu estilo, as suas opiniões, moldam o seu caráter de acordo com os consumidores, alteram a sua voz e gradualmente atingem o seu objetivo.

   Analisando tudo isto de forma imparcial, questiono-me como poderei eu e qualquer outro amante de música criticar esta opção. Se não gosto? Claro que não. Se aceito? Tento, mas não consigo. Se compreendo? Cada vez mais. De que vale um artista trabalhar fiel ao seus princípios, um número estapafúrdio de horas por dia, tentar inovar, criar sonoridades e letras diferentes, se no final do mês não tiver pão para por na mesa, se no final do mês não vir recompensado o seu trabalho, enquanto artistas com sons pré-fabricados, letras medíocres e vozes modificadas ganham a vida com uma música e são adorados pela massas? De que vale ser um carneiro tresmalhado,esforçado,trabalhador e ter talento se for apenas reconhecido, elogiado e respeitado por poucos milhares de pessoas, enquanto podem optar por um caminho fácil, ganhando fortunas, sendo contratados por grandes marcas, alcançando recordes que outrora foram ocupados por artistas e bandas míticas que tiveram um peso fulcral na evolução da música e sendo admirados e ouvidos por milhões e milhões de pessoas que esgotam todos os seus concertos e são capazes das maiores loucuras por eles?

   Cada vez existem mais pessoas com talento naquilo que fazem, que investem todo o seu tempo em tentar criar mais e melhor e são ultrapassados por todo esse rebanho superficial e sujo, que da música apenas amam o dinheiro! Tudo isto podia ser desprezado facilmente, mas o meu espirito critico leva-me a questionar, como é que se pode tornar uma arte tão poderosa na sociedade, numa coisa tão pobre, tão fraca, tão deteriorada e superflua.Há conta disto perdi ídolos, artistas que me acompanharam em diferentes momentos da minha vida e que agora olho para eles e penso, como é que isto foi possível? Prometi a mim mesmo não dar exemplos, pois colocar-me-ia numa situação de possível escrutínio de qualquer leitor, mas o que se passou com o Snoop Dogg dos anos 90 (parece que agora se apercebeu que pertencer ao rebanho não é assim tão bom),com Eminem,Paul Mccartney,Wiz Khalifa, Steve Aoki, The Bloody Beetroots,Borgore, Kanye West, Ludacris, The Game ou bandas como Kings of Leon, Daft Punk, Arctic Monkeys, Black Eyed Peas, Coldplay ou Muse, ou artistas nacionais como Regula, Buraka Som Sistema ou Carlão? Não digo que uma mudança de estilo seja necessariamente má porque existem casos em que as músicas até têm qualidade, mas ponham na cabeça que nem Jesus agradou a todos…

Hasta,

Texto: João Rodrigo

Equipa

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