#3 Histórias de Coura: Memórias da margem do Tabuão.

O sol batia na tenda, que aquecia a cada minuto. O ar quente batia na cara quando abríamos o fecho. O sol olhava-nos por entre as folhas das árvores e “Alvorada” era feito ouvir ao megafone pelos nossos vizinhos de cima, seguido de cânticos de igreja. Acordar assim era bom.

No meu primeiro ano em que fui ao festival Paredes de Coura, em 2014, cheguei no primeiro dia das festas da vila, claro está que já estava tudo cheio. Ficámos num sitio completamente inclinado, onde o colchão fugia durante a noite e acordávamos no fundo da tenda todas as manhãs. Para cozinharmos tínhamos de encontrar uma superfície plana mais acima de onde nós estávamos porque o nosso chão não deixava pousar o campingaz, mas foi um grande Paredes. Nesse ano estava a transitar do 12º ano para a Universidade e desde aí que o Paredes de Coura tem assistido a algumas transições na minha vida. Em 2015 viu-me a partir para um ano de Erasmus, em 2016 ajudou-me a readaptar ao meu país e à rotina e este ano, apesar de só ir um dia, vai-me ver a mudar de cidade.

Este festival tem um lugar especial para mim desde o meu primeiro ano. Há uma nébula de felicidade em Paredes de Coura. Respira-se diferente.

As histórias são muitas apesar de só ir há 3 edições. Lembro-me de em 2014 ter estado a falar com o antigo baterista dos The Growlers. Estava com duas amigas sentada no palco secundário onde não estava ninguém, estávamos à espera de outra banda, cujo nome não me lembro agora. Uma das minhas amigas levantou-se num ápice e começou a correr, por instinto, corri atrás dela e só quando a alcancei é que reparei quem estava à nossa frente: Scott Montoya. Ela tinha visto o chapéu dele ao longe. Estava a conversar com uns rapazes portugueses. Começámos a falar com ele e ainda estivemos uma meia hora, no mesmo sitio, sempre a falar. Lembro-me de lhe termos tentado explicar o que era uma francesinha e de ele andar a fugir aos seguranças para poder estar mais tempo em solo português. Também nesse ano, numa das noites das festas da vila, lembro-me de batizarmos o nosso lençol, o Carlos, fiel companheiro de concertos que ajudou um bocado com frio e de ter dado um high-five ao Seasick Steve.

Todos os anos traz-se histórias para contar. Todos os anos conhece-se pessoas novas, quer sejam os nossos vizinhos de campismo ou amigos de amigos que marcam a nossa experiência e que continuamos a querer ver de ano para ano.

Todos os anos o sol brilha por entre as folhas das árvores, envergonhado e, todos os anos a noite nos deixa ver um céu coberto de estrelas. Paredes de Coura acende-se com o festival e “ a gente” é contente. Se em Braga sê Romano, em Coura sê feliz.

Texto e Fotos: Joana Martins

Equipa

Deixar uma resposta