“365 Dias, 10 Escolhas” por João Rodrigo. (Parte 2)

fg madlib

Ainda no campo do Hip Hop temos que realçar, um projeto divulgado em Março de 2014, o novo trabalho de Freddie Gibbs e Madlib, “Piñata”. Produzido inteiramente por Madlib, contaram com uma preciosa colaboração de artistas como BJ Chicago Kid, Earl Sweatshirt, Danny Brown, Mac Miller ou o carismático Raekwon. Antes do lançamento deste álbum, esta dupla já tinha editado “Deeper”, mas esse álbum nunca atingiu dimensões comparáveis a este novo trabalho. Um álbum que podemos caracterizar sobretudo como completo, verifica-se uma grande complementaridade entre os instrumentais de Madib e a voz Gibbs. Um álbum de dois senhores, um da nova escola e outro com muitos anos de estrada, que nos deixa um cheirinho do chamado Hip Hop Old School relembrando sons de Wu Tang Clan e outras figuras míticas do Hip Hop. Um álbum sólido, fresco, pessoal, moderno com toques de clássico. Um verdadeiro álbum de Hip Hop, magnificamente produzido por uma pareceria que colheu os frutos de um trabalho de alguns anos, criando algo demasiado bom para não ser partilhado com os nossos leitores.

jwRock pesado, agressivo, que nos desperta todo o tipo de sensações, instrumental, tirando da ideia das pessoas que “é só barulho”, uma genialidade, musicalidade. Muitos dirão que neste momento isso já não existe, a minha recomendação para essas pessoas? Jack White, “Lazaretto”. Um álbum que retrata e bem que o verdadeiro Rock, sem estranhezas, sem vozes melacólicas, gritarias ou recurso a instrumentos bastante tecnológicos, ainda está vivo e bem vivo e que apesar de ser um género utilizado e reutilizado, batido e rebatido é possível inovar. Seria qualquer pessoa capaz disso, provavelmente não, mas o génio de Jack White assim o fez e estamos perante um dos álbuns do ano e um dos regressos do ano. Com o fim de White Stripes, provavelmente a maioria pensou que a carreira de um dos melhores músicos da história teria ficado por ali, mas álbum após álbum ele prova que só ele próprio pode acabar a sua carreira e não a imprensa. É impressionante a criatividade de Jack White nos seus trabalhos, metendo inveja a muitos dos novos artistas que se intitulam de modernos. A modernidade não está na idade e um exemplo disse é o Mr.White que está como o Vinho do Porto. Sabendo da realidade dos downloads ilegais e sabendo que o fim dessa prática jamais vai terminar, Jack White tomou a atitude de disponibilizar o seu álbum gratuitamente 1 semana antes do lançamento em formato físico. Sem dúvida um exemplo para todos. Sabem qual foi o resultado desta medida? “Lazaretto” ocupou o primeiro lugar da Billboard 200 com 138 mil cópias vendidas na primeira semana, a versão em Vinil chegou a números como 40 mil vendas na primeira semana, batendo um recorde que datava de 1991. Impressionante não é? Para além disto este magnifico trabalho está nomeado para Melhor Álbum de Rock Alternativo e Melhor Atuação de Rock, assim como melhor Música de Rock, na cerimónia dos Grammys que se irá realizar em 2015 pela 57º vez.

Por último, vou referir os dois últimos álbuns do meu top 10 de álbuns de 2014, juntando os dois por terem sido descobertos na mesma situação e por constituírem as duas maiores surpresas do meu top, um é o novo álbum dos Diamond District, “March oh Washington”, o outro é o novo trabalho dos Run the Jewels, tendo o álbum o mesmo nome do duo, “Run the Jewels 2”.

Vou começar por falar dos Diamond District, é um grupo formado por 3 rappers da parte Este dos EUA, são eles Oddisse, Uptown XO e yU the 78 er. Com um Hip Hop bastante instrumentalizado, conseguiram um trabalhar bem interessante, e seguindo este caminho vão conquistar um lugar de prestigio no mundo do Hip Hop. Seleccionei este álbum, não só por ter considerado ter uma grande qualidade, mas porque também é diferente, conseguiram fazer com base apenas no talento dos 3 um trabalho digno de registo e porque ou muito me engano ou daqui a um ano ou dois vão ser ouvidos em muitos cantos do mundo.

Por fim, abordo então o duo de Nova Iorque, Run the Jewels. Também desconhecidos para o granderunthej público, embora tenham mais adeptos que os Diamond Dstrict, conseguiram realizar um álbum aclamadíssimo pela crítica e que após tantos comentários acerca dele, me despertou curiosidade de ouvir e foi aí que confirmei o porquê do falatório acerca destes meninos de Nova Iorque. Após o lançamento do primeiro álbum, “Run the Jewels”, o dueto lançou o seu sucessor que ganhou rapidamente vários adeptos com o seu Hip Hop. Constituidos por El P e Killer Mike, denota-se alguma experiência nestas andanças, não sendo “virgens” no que toca à produção musical. Não são propriamente rapazes jovens, mas já passaram por muitos azedos na suas carreiras musicais, não alcançando o sucesso nas suas carreiras a solo, coisa que parece estar a acontecer enquanto Run the Jewels. As pessoas dão lhes carinho, eles sentem isso e retribuem isso complementando-se mutuamente e criando algo que nunca poderia ser criado individualmente por qualquer um dos dois. Depois do lançamento do primeiro álbum desta trilogia, (vai sair o álbum, em Janeiro de 2015), logo reuniram fãs, não só os fãs que tinham conquistado nas suas investidas a solo como novos adeptos que se fascinaram com a nova sonoridade que ai advinha. Com este álbum foi o apogeu e cada vez se tornam mais uma certeza do universo musical. Vindos da ilegalidade, trabalham neste momento para fazer o bem. São eles os Run the Jewels.

Posto isto, ponho fim à minha lista de escolhas e análises relativamente aos álbuns que mais me marcaram neste ano que passou. Gostava por último realçar que a ordem destes é completamente aleatória e o texto não foi escrito hierarquicamente numa escala de preferências. Não foi fácil selecionar 10 álbuns que se distinguissem até porque, apesar de ter havido muita desilusão em termos musicas em 2014 também tivemos o prazer de contar com grandes álbuns como o álbum de Vince Staples, Temples, War on Drugs , Alt-J, o regresso de Foo Fighters, Warpaint, WildBeasts, St.Vincent, Jessie Ware , Grouper ou Shabazz Palaces… provavelmente estou me a esquecer de vários trabalhos dignos de registo, mas não é fácil lembrarmos-mos de todos. E ainda bem que assim o é, mau seria se me lembrasse de todos de cor, pois era sinal que poucos seriam.

Foi acima de tudo um bom ano musicalmente falando, com álbuns que vão marcaram a história da música e a evolução de muitos talentosos artistas que assumirão um papel de destaque no futuro próximo. E como quando termina o ano podemos sempre pedir desejos, o meu é que 2015 um ano abençoada por todas as vozes e instrumentos existentes. Surpreendam-me.

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Texto: João Rodrigo

Equipa

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