“Aquela crítica ao SBSR 2015 com uma semana de digestão.” por Pedro Cisneiros

SBSR

Se já ninguém quer saber do SBSR, o problema é vosso. A mim importa dizer umas quantas coisinhas sobre um dos maiores festivais portugueses e o único que tenta ter um compromisso com o rock de qualidade.

Curtir do Musa, Alive e SBSR, em fins-de-semana seguidos, cansa. Pelo menos a mim, que não sou nenhum menino e, entre tentar aproveitar os festivais ao máximo e trabalhar, fiquei de rastos. Tal não aconteceu no SBSR de 2014, e tenho de agradecer ao Meco por isso. Não, não vou pôr me a chorar que o parque das nações não safa, porque safa e bem. Boa vista para o rio, com uma multidão concentrada mas não sufocante, muito menos campistas (com os quais não tenho qualquer problema, excepto quando só vão a festivais para não deixar dormir quem está lá pela música e paz), boa acessibilidade entre palcos, não há pó e ainda há o centro comercial Vasco da Gama a oferecer alternativas de comida às más e caras opções presentes dentro do recinto (da maior parte dos festivais). Problemas com o Parque das Nações? Vês o concerto de um cabeça de cartaz e só te vês em casa, de transportes públicos, às tantas e depois de muita viagem. As opções de transportes públicos não satisfazem e não permitem ainda um usufruto pleno da experiência. O Meco não era propriamente na capital mas pelo menos dava uma opção de sono decente.

Desabafada toda a emoção em relação ao espaço, falemos de música. Como falado aquando da crítica ao Alive 2015, as edições do festival de Algés e do Parque das Nações tiveram este ano uma das mais equilibradas lutas entre cartazes. Se o Alive se safou bem com muita oferta de qualidade mas uma tanta treta comercia já insuportável, na minha opinião, o SBSR safou-se ligeiramente melhor. Não foi pelos anciães perdidos no tempo nem pelo palco Antena 3 (salvo Da Chick), nem mesmo pelo palco Carlsberg (salvo Toro y Moi), mas sim pela fluidez. A verdade é que para qualquer apreciador de rock, especialmente indie, havia uma óptima dinâmica entre concertos. Acaba um, temos 20 minutos para o seguinte. As opções eram válidas e explorar os palcos foi uma actividade saudável porque o público não estava tão obcecado em tirar selfies como em aproveitar a experiência musical. Destaco as actuações de FFS, Bombay Bicycle Club, Unknown Mortal Orchestra, The Vaccines, SBTRKT e a menina Little Dragon, Kindness e (até) Milky Chance, além de Gramatik e outros nomes que já pouco desiludem. Props para o palco EDP.

Quem mais riscos correu foram mesmo os Franz Ferdinand com a sua colaboração com Sparks, mas perder vícios e mudar de ares, mesmo em bons concertos, não é um crime e esta aliança proporcionou bons momentos em palco, além da esperada muita dança. Blur também voltaram bem, e de Florence + The Machine já nem vale a pena falar. Já Sting e o menino Gallagher da Wonderwall, mais valia não terem vindo. Ok, isto é feio de se dizer, mas a verdade é que não deram nada ao festival e viver em nostalgia dos sucessos dos anos 90, sem capacidade de inovação nos trabalhos mais recentes, não me deixa propriamente feliz.

Resumindo, o SBSR 2015 foi até agora o festival mais sólido na vertente rock com que está ligado, mesmo com erros de casting graves no que toca a trazer nomes históricos incapazes de actuar de um modo mais criativo que os seus outros colegas anciães (ou gira discos humanos). A sua abordagem menos sensacionalista permite-nos esperar pela próxima edição com boas perspectivas.

Texto: Pedro Cisneiros;
Imagem: Catarina Craveiro/SBSR

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