Centro Cultural de Belém recebeu “Orelha Re-Inventada”.

Foto: Vera Marmelo

Deixa-me lá ver, estão a pedir-me para descrever o que eu vi e ouvi, no passado sábado, no Centro Cultural de Belém? Bem, praticamente, uma missão impossível mas vou tentar expressar-me o melhor possível.

A procura foi grande, os lisboetas não queriam perder a única oportunidade de ouvir, na íntegra, o próximo álbum dos Orelha Negra e esgotaram o Grande Auditório do CCB, ainda duas semanas antes do evento. A banda deu quinze minutos para o público ambientar-se ao espaço e, que serviu, de tolerância aos atrasados, depois disso era hora de ouvir música nova, da BOA! E assim foi: 21:15, DJ Cruzfader, Sam The Kid, Fred, Francisco Rebelo e João Gomes subiam ao palco para apresentar o próximo disco da banda.

E foi logo, no primeiro tema do repertório que conseguimos perceber que vamos ter uma Orelha “Re-Inventada”. O que me captou logo a atenção foi a notória presença do Soul/Funk dos anos 70 mas numa versão remisturada com o Hip Hop, da Costa Oeste, dos anos 90, deixando desde logo a minha cabeça a turbinar tentando catalogar/encaixar o que estava a ouvir, missão sem sucesso claro. Provavelmente ao leres isto, vais pensar em algo do género: “Sim, mas isso é o que os Orelha já têm feito, nos últimos discos.” e eu sou obrigado a concordar, há momentos que conseguimos viajar melancolicamente até aos dois discos passados, principalmente graças às cordas de Francisco Rebelo, no entanto, agora acontece tudo de uma forma tão improvável e única causando uma sensação de “eargasm” para todos os ouvintes.

É um disco que podia ser uma banda sonora de um filme, não de acção, nem de coração (romântico) mas de um filme dramático, digno de um globo de ouro, onde não se sabe o destino de Leonardo DiCaprio. A bateria de Fred acompanha o batimento cardíaco do protagonista, o MPC de Sam The Kid e os discos de Cruzfader relembram as ações passadas erradas, o baixo de Rebelo manda “bitaites” enquanto as teclas de João Gomes espelham a forma que o protagonista se relaciona com o mundo exterior.

Mas voltando ao verdadeiro pedaço de arte que se apresentava naquele palco, este álbum vai representar, sem dúvida, um novo ciclo dos Orelha Negra, algo que se percebeu melhor graças ao incrível sistema de luzes e às bolas de espelhos que acompanhavam a banda em alguns temas “funkisitos”, designação que eu dei aos funks esquisitos antigos. No repertório houve ainda tempo para um medley, em formato tributo, aos maiores êxitos de Hip Hop, da atualidade, “0 To 100” de Drake, seguindo para “Bitch Don’t Kill My Vibe” de Kendrick Lamar, terminando em “Hotline Bling”, mais um tema do canadiano Drizzy.

Houve ainda tempo para recordar o belo trabalho passado da banda. O encore chegou e fez a banda voltar do backstage com três dos seus maiores singles “961919169″, “Throwback” e “M.I.R.I.A.M”, este último que teve a missão de encerrar uma bela noite.

Posso bloquear, com toda a certeza do mundo, que os Orelha Negra terão aqui um dos melhores álbuns de 2016. Se tiverem oportunidade apareçam no concerto do Porto (atenção está quase a esgotar), em relação ao disco voltamos a falar sobre ele, quando sair e depois no final do ano.

Texto: Fábio Lopes;
Fotos: Vera Marmelo;

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