“Currents” – Tame Impala seguem por outras correntes.

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Depois de uma longa espera de três anos, os Tame Impala finalmente lançam um novo álbum. A banda que começou em 2008 sob a liderança de Kevin Parker lança agora o seu terceiro álbum intitulado de “Currents”.

Mas deixemos as formalidades textuais de parte porque para falar de Tame Impala há que tratar por tu.

Em 2010, com o InnerSpeaker, fomos habituados a uma sonoridade dos anos 60/ 70 cheia de guitarra e com uma bateria demarcada, capaz de nos transportar para um mundo imaginário onde os Beatles ainda atuam e o Woodstock existe. O segundo álbum- Lonerism- notou-se uma evolução da banda, mas conservando a sua impressão digital de ritmos dos anos 60.

Este mais recente álbum é tudo menos o que os outros foram. É claro verdade que mantiveram toda a personalidade da banda que lhe é característica. Se alguém que conheça a banda ouvisse uma música deste álbum a tocar sem saber de quem se tratava, com certeza facilmente identificava. No entanto, não são os Tame Impala que esperávamos.

Começamos com “Let it Happen” e começamos bem. Sentimos algumas diferenças no ritmo. É uma introdução à mudança que nos espera no restante álbum. A música parece adequar-se ao seu título perfeitamente. Lembra uma sensação de flutuação, de observação, uma sensação de “just let it happen”.

A “Nangs” surge de seguida, escondida, e curta. Assim como a “Gossip” (faixa 6) parece assemelhar-se a uma faixa de transição, uma ponte entre duas músicas. Parece inacabada e com o propósito de ser uma filler track do álbum.

A “Yes, I Am Changing”, assim como a “The Less I Know, The Better”, parece ser a afirmação de uma mudança. Com um ritmo mais calmo, transportam-nos para uma balada dos anos 80, transportam-nos para um baile de finalistas dos anos 80 em que a Madonna canta “Like a Virgin” e usamos cabelos e vestidos espalhafatosos. É um chamamento para a transformação.

Assim que a “Eventually” começa a tocar sentimos um pouco de ar puro a encher os pulmões. Ouvimos a guitarra e é uma lufada de ar fresco. Uma música que traz nostalgia àqueles que ainda esperam por músicas como as do primeiro e segundo álbum.

A “Past life” usa e abusa dos sintetizadores e torna-se um pouco ao quanto difícil de digerir por ser tão diferente. Esta é, de facto, a faixa mais estranha de todo o álbum. Mas é a narração que acentua esta estranheza. A voz de quem narra, a maneira como narra e o contraste entre a narração e o refrão. Aquela que parece ser uma boa ideia e uma ideia original parece não funcionar quando ouvida.

“Disciplines” é uma música muito curta mas um dos bons momentos do álbum. É pequena mas enche as medidas e tornamos a ouvir um pouco mais de guitarra.

A “Cause I’m a man” é a décima faixa e, na minha opinião, uma das mais bem conseguidas. Fica presa na nossa cabeça, não só pelo seu ritmo convidativo mas também pela sua letra. Parece ser a “Feels like we only go backwards” deste álbum e tal como esta, aprisiona-nos na sua melodia.

O álbum termina com a “New Person, Same Old Mistakes” continuando com os sintetizadores, com alguma presença da guitarra, com um ritmo um pouco psicadélico e finalizando o álbum de uma boa forma. Faz com que o álbum acabe como começou.

Um álbum que denota uma evolução da banda, uma transformação por um caminho diferente. Para quem espera os Tame Impala de 2010 de volta pode revelar-se uma desilusão. É-nos apresentada uma banda num processo de experimentação pelo inesperado, mas sem deixarem de ser os Tame Impala. Um álbum coeso e coerente. Uma viagem aos loucos anos 80 através da voz do conhecido Kevin Parker e dos sintetizadores. Currents é uma viagem de descoberta, da banda e nossa. É de facto verdade que em certos momentos nos questionamos: Mas será que não podiam ter usado mais guitarra? Mas acabamos por encontrar a resposta nas músicas: “[…] Yes I’m changing, yes I’m gone/ Yes I’m older, yes I’m moving on/ And if you don’t think it’s a crime you can come along, with me/Life is moving, can’t you see […]”.

Um álbum que pode não agradar a todos, e que apesar de não ser o melhor, no seu todo é um bom álbum. Um álbum que deixa mistério e curiosidade para o que se avizinha.

Classificação:  7.0/10
Álbum:  Tame Impala – Currents
Lançamento:  17 de julho de 2015
Crítica por:  Joana Martins

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