“Deixem o João Falar” – Água, Luz, Gás, Alimentação, Habitação, Música..

Deixem o João Falar

Bom e depois de uma semana em que de certeza sentiram a minha falta, pelo menos a minha mãe disse-me, “epá vê se vais escrever que ao menos assim não chateias”, uma maneira suave de dizer que tem saudades das minhas humildes opiniões, a rubrica está de volta.

Como já devem ter reparado, como leitores atentos que são, o título da rubrica desta semana apresenta algumas condições essenciais para a sobrevivência, contudo alguns mais perspicazes perguntarão e com razão, o que está ali a fazer o gás.

Apesar de hiperbolizado, acredito que esta questão comece a surgir cada vez mais na cabeça das pessoas, não só pela cada menos importância do gás na sociedade, mas também pela crescente importância e influência da música nas pessoas.Com a evolução que todos os dias observamos no nosso país, na nossa sociedade, tornando-nos cada vez mais cosmopolitas como os grandes países do globo, a música derivado também da evolução das tecnologias é uma arma poderosíssima e a arte mais utilizada e maravilhada por todos nós. Todos os dias da nossa vida ouvimos música, estejamos nós onde estivermos, seja ela proveniente dos nossos telemóveis, da televisão, da própria natureza, de concertos, da rádio, dos nossos leitores de Mp3 e Ipods, do Teatro….Isto acontece na sua maioria porque a música ganhou uma importância tal no nosso dia-a-dia que se torna uma companhia, um momento de descontração, uma maneira de desanuviarmos e entrarmos simplesmente numa relação, nós e a música.

É engraçado e acessível a todos nós comuns mortias,fazermos o seguinte exercício, nos dias de hoje quando andamos nas ruas de uma cidade de média/grande dimensão quantas pessoas vemos com auscultadores/auriculares nos ouvidos? Se andarmos de transportes, quantas pessoas vemos a deslocarem-se para as suas atividades que estão a cantarolar, ou com aquele ar de pensativas mesmo estando a ouvir a música pela milionésima vez? Quando procuramos divertir-nos á noite, vamos onde? Quando estamos tristes, chateados com que partilhamos os lenços e as frustrações?

Todos já ouvimos em qualquer sítio, a típica frase de pessoas a partir da meia-idade, liga a televisão assim vou ouvindo música ou daqueles idosos que vivem isolados e muitas vezes sem televisão que sempre que são apresentados por jornalistas em reportagens referem a telefonia como a principal companhia, desenvolvendo até relações de grande cumplicidade com os próprios locutores das rádios que muitas vezes desempenham também a função de psicólogo, tendo um papel muito importante nas regiões mais interiores do nosso país.

Mesmo em termos profissionais, quantos casos não conhecemos em que a música é uma presença habitual? Profissionais da publicidade, marketing usam a música como instrumento de trabalho usual, músicos usam a música para porem o seu “pão” na mesa, os jornalistas musicais, críticos, sem música faziam parte da “ébola” que assola o nosso país, o desemprego, os professores musicais procuram a expansão da arte e o desenvolvimento da mesma, excluindo produtores, técnicos de som que lidam diariamente com a musica profissioanalmente,ou todas as atividades que dependem da criatividade dos seus praticantes que encontram na musica um grande auxilio para a sua inspiração, visto que dependem dessa mesma característica para executarem o seu papel. Todos nós dependemos da música! Resta- nos contribuir para a sua evolução, começando por consumir aquilo que os artistas e as suas equipas produzem para nós, o trabalho de horas,dias,meses,anos com o simples objetivo de provocar todas estas sensações que indiquei anteriormente.

Todos sabemos que o mercado da música cada vez depende menos da compra de Cd ́s devido ao decréscimo acentuadíssimo que podemos observar ao longo dos anos da compra dos mesmos, a indústria da música teve que se adaptar.Modernizou-se,depende muito mais de

visualizações, de concertos, de merchadising,da imagem que transmitem, das partilhas nas redes sociais, dos cliques nas publicações, dos likes,dos downloads e das vezes em que são tocadas em plataformas como Spotify ou Soundcloud.

Os artistas começaram a apostar noutras estratégias para contornar a crise no mercado musical, os tempos mudaram, começa a chegar ao fim a magia que é comprar um CD,com aquele “cheirinho” a novidade, tirar o plástico e metê-lo na nossa aparelhagem e viajar por entre ritmos, batidas e letras, comprar um Vinil, abri-lo como da maior relíquia se tratasse e colocá-lo ainda sem qualquer risco ou marca de pó no nosso leitor e desfrutar do movimento da agulha ao tocar no disco e começar a ecoar as sonoridades que tanto queríamos ouvir.

Tudo isto acabou, não passam de memórias, recordações que temos quando vemos as coleções dos nos antecessores e que não perdemos a esperança que um dia voltem a ser práticas habituais. Eles? Moldam-se, acostumam-se á atualidade, e continuam a prendar-nos com as suas obras-primas. A nós? Resta acostumarmo-nos,adapatarmo-nos e com um grande esforço contribuir todos os dias, ser os principais mecenas, para que esta arte nunca caia no esquecimento.

Hasta,

Texto: João Rodrigo

Equipa

Deixar uma resposta