“Deixem O João Falar” – “Se não têm pão, comam brioche”.

Deixem o João Falar

“Se não têm pão, comam brioche”

Esta afirmação não é estranha para ninguém, todos nós já a ouvimos pelo menos uma vez. Diz-se, embora com algum tom anedótico associado, que Maria Antonieta ao passear pela ruas de Paris, numa altura em que uma grande instabilidade se instalara naquele território e a fome assolava a população, Maria questionou o porquê das pessoas estarem tão desgraçadas, ao que lhe responderam “Majestade, não temos pão para comer “, levando-a a dar uma solução que na sua cabeça parecia mais que óbvia, “Se não têm pão, comam brioches”. Esta frase permanece para sempre na história, como símbolo da futilidade, e da falta de noção da realeza em relação às difíceis condições de vida da população.

Contudo esta afirmação pode ser usada em situações dispares, como todos podemos observar a arte musical viveu um período bastante conturbado, passou-se rapidamente do 80 para o 8, a música passa de períodos áureos, onde a industria musical produzia lucros monetários incríveis, para a realidade do período que se atravessava e com o avanço repentino das tecnologias os seus lucros foram sempre diminuindo gradualmente, ou pelo menos deixaram de provir das fontes de onde provinham, pensou-se que poderia ser o fim de muitos músicos, a venda de Cd´s,vinis e outros formatos físicos descia até níveis inimagináveis, a concorrência e a oferta de bandas e músicos era enorme, começava a crescer a importância de certos géneros musicais em detrimento de outros. Cada vez mais pessoas duvidavam do 2012, para os músicos o fim do mundo estava bem mais próximo que isso. Mas mais uma vez, aquilo que parecia ser um fim quase certo da carreira de milhares de artistas afinal, foi nada mais nada menos que a…… lotaria! Procurando novas soluções para contrariar os problemas que enfrentavam, descobriram provavelmente a mina de ouro, não, a venda de música em formato físico não aumentou, mas os artistas decidiram acompanhar o progresso tecnológico que se verificava e adaptaram-se às condições que existiam, a Internet passou a ser a muleta de todos os artistas.

Que melhor ferramenta poderia um artista arranjar para dar a conhecer o seu trabalho que a Internet? Escusa de pensar, caro leitor, não existe. Para além de chegar à maior parte dos consumidores de música do mundo, permite expor o seu trabalho de maneira gratuita, que ainda é partilhado entre as pessoas através de redes sociais, comentado pelas pessoas, existe uma ponte de ligação entre os artistas e os ouvintes, permitindo que se crie uma ligação muito mais afetiva aos próprios artistas, sabendo todas as novidades das suas carreiras, os projetos futuros, qualquer artista com muita ou pouca qualidade pode se dar a conhecer nos quatro cantos do mundo. Deixou-se de ganhar dinheiro com a venda de produtos físicos, começou-se a ganhar dinheiro com a venda dos produtos em formato digital, publicidade, concertos, marcas fundadas pelos próprios artistas. Todos os dias se investirmos algum tempo em evoluir na nossa intelectualidade descobrimos artistas novos e com bastante qualidade que nunca tínhamos ouvido falar na nossa vida, permitindo que o ouvinte ganhe uma enorme panóplia de oferta de artistas para desfrutar e que os próprios artistas tenham uma via bem mais fácil de chegar aos ouvidos das pessoas. É ridículo, a importância cada vez maior da música na sociedade, o dinheiro que se investe nela, tornando-a um negócio de dimensões inacreditáveis.

Qualquer artista de média-baixa dimensão atua várias dezenas de vezes por ano, nos mais diversos pontos do globo, nunca se revelaram tantos artistas como agora, nunca foi tão fácil ser musico como nos dias de hoje.

Quando a crise musical assolou o mundo, todos pensámos ser o fim de uma das mais belas artes que presenciámos, a arte essa que está enraizada no nosso quotidiano, enfrentávamos a grande epidemia dos downloads ilegais, lançaram-se campanhas contra a prática desses atos, apelando ao bom senso, à honestidade e que as pessoas estavam a prejudicar os seus maiores ídolos, mas os preços praticados estavam longe do alcance da maioria dos comuns dos mortais, e a prática dessas atividades continuou com grande adesão. Perante esta situação e vendo que não haveria solução possível a curto prazo, para contrariar essa prática e que apesar de tudo, dela não advinham só malefícios, pois ainda que a música fosse obtida ilegalmente, ou menos chegava aos ouvidos da população ao contrário dos CDs que deixaram quase de ser vendidos pela grandes superfícies, os artistas decidiram baixar os braços e arranjar soluções para combater este problema ,contornando-o, passou-se a poder ouvir os álbuns em plataformas online como SoundCloud ou o Spotify, os artistas começaram a facultar os álbuns para download, mudando assim a estratégia, deixaram de ganhar dinheiro a curto prazo com a venda dos seus trabalhos, ganharam muito mais ouvintes e começaram a produzir o seu dinheiro beneficiando da popularidade que foram conquistando. Pensou-se que a o negócio da música iria chegar ao fim, contudo apenas se deu um passo atrás para dar dois à frente, deixou-se de comer pão, descobriu-se o brioche.

Hasta,

João Rodrigo

Equipa

Deixar uma resposta