Ed Sheeran em Lisboa: “Como é que um tipo e uma guitarra enchem estádios pelo mundo fora?” – Case Study

Ed Sheeran acabou de esgotar duas datas no Estádio da Luz. Foram quase 120 mil pessoas, em dois dias, que decidiram ficar em filas intermináveis (tanto para entrar como para sair do estádio) para ver um inglês com um guitarra. Como é que algo tão simples move tanta gente?

Foto: Tiago Cortez/Everything Is New

À chegada ao Estádio da Luz parece que estamos a chegar a um concerto dos Grateful Dead em 78 mas a versão familiar do conceito. Vemos inúmeras famílias a serem puxadas pelos mais novos para conseguirem um ótimo lugar, para verem o inglês de perto. E é este “efeito família” que Ed Sheeran e tantas outras estrelas Pop tem a seu favor, os miúdos querem e os pais vão atrás. Na verdade não será difícil de ver seja o que for, pois apesar do palco ser minúsculo está carregado de ecrãs gigantes que nos permite ver o músico de qualquer lugar do estádio.

Antes da estrela da noite, temos ainda as actuações de Ben Kweller, Zara Larsson e James Bay. Cada um à sua maneira cumprem o que lhes é pedido, fazer passar aquelas horas de calor intenso (as portas abriram às 16h e Ed Sheeran só subiu ao palco às 21h).

Depois de esgotar teatros, coliseus, festivais, estádios por todo o mundo, Ed Sheeran já está mais que habituado às multidões por isso a entrada em palco e as primeiras músicas decorrem sem um pingo de preocupação por parte do músico. Sempre muito simpático e comunicativo (ossos do oficio) o músico explica que já não actua em Portugal à alguns anos e que tudo o que se ouve naquele concerto é feito ao vivo e através de um pedal de loops. O publico vibra cada vez que uma musica começa, cada vez que uma musica acaba e cada vez que o inglês fala. É assim na introdução de “A Team”, que Ed explica como sendo uma música que toca em todos os concertos, desde que começou a tocar para 2 pessoas até às 50/60 mil. Pelo meio temos “I See Fire”, “Sing” ou “Shape of You” que fazem o publico saltar como se não houvesse amanhã. No final, fica guardado o tema “You Need Me, I Don’t Need You”, que apesar de não ser a música mais conhecida do repertório do músico, é a que melhor funciona ao vivo com um exercício de pedais, canto e rap a mostrarem bem a força do músico em palco.

A formula simples dos temas em conjunto com o ar super descontraído do musico faz o publico sentir-se confortável naquele espaço. Na verdade as musicas de Ed Sheeran foram feitas para estádios cheios, pela sua simplicidade, por parecerem hinos de futebol (com temas de relações passadas e desgostos amorosos) e por serem propicias a porem o publico a saltar, a cantar e a dançar sem recorrer a fogo de artificio, uma banda ou dançarinos. E é por isso que Ed Sheeran conquista todos os públicos onde toca.

 

Texto: António Almeida
FotoS: Tiago Cortez/Everything Is New

António Almeida

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