Entrevista com GEORGIA

Um dos nomes a ter em atenção em 2016 é, sem dúvida, a londrina Georgia. A multi-instrumentista esteve recentemente no Vodafone Mexefest e a Buzz TV esteve à conversa com ela para dar a conhecer um pouco mais quem é esta rapariga.

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Buzz TV: Alguém já te chamou de “M.I.A. Branca”?
Georgia: Sim, é algo que não se consegue realmente escapar especialmente vindo de Londres. Não há muitas fabricantes femininas de batida ou que misturem um género meio Grime, hip-hop e punky. Acaba-se por se ser comparado a M.I.A. porque ela significou muito para nós londrinos, ela foi a primeira a levantar-se e fazê-lo.

B: Achas que vocês as duas têm um bocado a mesma atitude?
G: A M.I.A. tinha um lado político para sua música. Ela falava sobre a aceitação de seu passado, mostrar a outras culturas que devem ser mais conscientes com os sons dos diferentes lugares e a política que estava a acontecer. E eu gosto disso, eu gosto de um artista que tem algo a dizer, não interessa se estás ou não de acordo com eles, apenas é óptimo que eles estejam a expressá-lo porque caso contrário seria apenas monótono.

IMG_9784B: E a tua música também têm um lado especial?
G: Eu represento as pessoas a se interessarem por boa música pop e talvez inspirar mais algumas raparigas a fazê-lo sem ajuda. Mas não sinto que tenha uma agenda política enorme, gosto de pensar que eu estou a explorar novas coisas.

B: Como é a cena musical em Londres? É mais difícil para uma rapariga começar numa banda ou a solo?
G: Bem, primeiro que tudo, é difícil em Londres receber ofertas para gravar álbuns ou uma editora, porque cada vez há mais pessoas que vêm para Londres, pessoas ambiciosas. Daí ter-se tornado uma cidade um pouco cheia, mas se fores bom, ambicioso e criares música que faz sentido para ti, então quem sabe.

B: Então sentes que todos vão para lá agora?
G: Sim, mas é normal, é uma das maiores capitais do mundo. A arte é o ponto central de Londres, por isso é muito difícil. Mas para um músico é o lugar para se estar, porque há tantas cenas diferentes. Há um monte de pessoas com o mesmo caminho e acabas por te encontrar em determinadas situações cercado por músicos incríveis.

B: E a pegar a partir daí, fizeste uma colaboração com uma marca não foi?
G: Sim, eu tenho feito muitas. Mas deves estar a referir à M&M Paris, eu fiz o meu trabalho artístico com eles. Eles fizeram a arte dos álbuns de artistas como Bjork e Kanye, mas também um monte de moda. Eles são incríveis.

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B: Gostavas de fazer algo nesse género novamente?
G: Eu adoraria. A moda e música são meio inseparáveis agora. A mistura de duas indústrias diferentes é sempre uma coisa interessante.

B: Começaste com a Kate Tempest. Ela foi como uma Mentora?
G: Bom, eu toquei com Kate todo o ano passado, e a banda que ela juntou eram todos meus amigos por isso foi uma experiência incrível estar em digressão com todos os amigos, tocar em concertos e assistir à Kate em palco. Ela foi realmente inspiradora para mim, deu-me uma grande ajuda e foi como uma prenda. 

B: Então foi ela que te deu aquele pequeno empurrão?
G: Sim, eu acho que todas as pessoas com quem já toquei, de uma forma ou de outra, empurraram-me para fazer as minhas coisas sozinha.

B: É melhor tocar todos os instrumentos sozinha no estúdio ou tocar com alguma ajuda ao vivo?
G: Quando estás a criar coisas no estúdio é diferente porque és só tu e com quem dás a ouvir a música. É um pouco diferente pois estás a criar música para as pessoas ouvirem no seu laptop, no seu telefone, ou onde quer que nós consumimos música agora. Portanto, é totalmente diferente para tocar as músicas e ver as reacções das pessoas. Isso é uma coisa real, em oposição a esta experiência contida. Eu não sei o que prefiro porque ambos têm os seus méritos e, obviamente, um não existe sem o outro. Sem tocar ao vivo e ver as reacções das pessoas eu não saberia se está a funcionar e se eu estou no caminho certo no estúdio. Sinto que os dois estão interligados.

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B: Nasceste no noroeste de Londres. Já pensaste se tivesses nascido noutro lugar, não exatamente em Londres, mas noutro país ou assim, ainda estarias a fazer música e iria soar ao mesmo?
G: Sim, eu acho que eu estaria a fazer o mesmo, mas não teria o mesmo som. Para mim Londres ajudou-me a moldar o som que eu queria criar. A veia industrial e todos os géneros diferentes que encontras em Londres é como um caldeirão de som. Por isso sim, a cidade afecta o meu som. Mas se eu pudesse ter nascido noutro lugar, eu gostava de ter nascido na África Ocidental, porque a música ao seu redor é incrível e eu adoro toda a região.

B: Agora falando um pouco sobre a tua família. O teu pai é uma referência em algumas das letras do álbum, já tiveste tempo para lhe explicar sobre o que realmente falam? E a tua mãe já está OK com os palavrões?
G: O álbum é sobre a minha mãe e o meu pai, eu acho que ele, provavelmente, sabe que um monte das letras são sobre ele. A minha mãe realmente disse-me isso quando o álbum saiu, mas agora está bem (risos).

Entrevista: António Almeida
Fotos: Ana Rita Garizo

Agradecimentos: Vodafone Mexefest, Domino Records, Nuno Dias.

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