LISB-ON Jardim Sonoro: Porque é que é um dos melhores? O cartaz fala por si.

Jaar

Este fim-de-semana a Buzz TV esteve presente em mais um dos melhores festivais de música electrónica portuguesa. Porque é que é um dos melhores? O cartaz fala por si. Se desse lado do texto houver dúvidas sobre este nosso critério é porque muito provavelmente não vive a música como nós. Para nós, Nicolas Jaar (ainda que em Dj set) e Nina Kraviz no Parque Eduardo VII, entre as 19h e as 24h, já era suficiente para termos de ir e partilhar. E ainda bem que fomos.

Infelizmente nem tudo começou bem. A única entrada disponível estava cheíssima, desorganizada e demasiado demorada. Passada a entrada, encontramos mais problemas, mas menos preocupantes. O sistema no cash, ou seja, ter de se carregar o chip da pulseira com dinheiro num ponto especializado antes de se dirigir com a mesma a um dos bares, pode ser menos confuso, mas custou muito ver dezenas de pessoas esperarem “ao molho” nas filas para o fazerem. Seria apenas temporário e praticamente exclusivo do primeiro dia mas espera-se que não volte a acontecer.

Com actuações já a acontecerem desde o início da tarde, notou-se no entanto que não fomos apenas nós que tínhamos interesse especial em ver Jaar. O público concentrou-se para ouvir o jovem DJ e este não desiludiu propriamente, fez dançar como se queria e voltou a mostrar porque é um dos nomes de maior destaque do estilo, mas claro que custa vê-lo em palco e não ouvir “Mi Mujer” ou, por exemplo, mais músicas do estilo do projecto Darkside. Já Nina, fez o que estamos já habituados e sobre a sua consistente performance só nos podemos questionar se teríamos energia para três horas contínuas de dança. Não tínhamos.

Nina

Voltámos no domingo com um sentimento de ressaca musical e pareceu que a organização sabia exactamente como nos tratar: Jazzanova. O concerto foi tão agradável que determinados espectadores, que preferem manter o anonimato, partilharam mesmo os seus desejos e fantasias de ter a banda na sua festa de casamento. Pode parecer irrelevante mas este tipo de comentários explicitam o como esta rejuvenescedora experiência musical nos deixou prontos para as duas melhores actuações do festival: Todd Terje, ao fim da tarde, e Michael Mayer, já de noite, souberem abusar da criatividade sem perder o interesse do público. Se com Terje já sabíamos que nos íamos divertir e este não desapontou, com Mayer as expectativas já estavam mais pessimistas em relação à possibilidade de manter o nível de qualidade. O alemão poderia ter sido o elo mais fraco da difícil coordenação entre registo e performance dos artistas e o interesse e capacidade de resistência do público durante todo um dia de actuações, mas não. A sua reputação apenas ficou fortalecida pela entusiasmada adesão.

Lisbon

O Jardim Sonoro de 2015 mostrou ser cada vez mais uma oportunidade única. Não é acessível a todos e ainda tem a sua organização necessitada de ajustes, mas promete uma nova edição bem acima da média dos já banais eventos sunset.

Texto: Pedro Cisneiros
Fotos: LISB-ON Jardim Sonoro

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