Mau da Fita – “Os Bons ganham sempre? Os Maus também ganham…”

Vilão

1 de Novembro de 2015. Como se de um filho tivesse a falar, comecemos pela sua data de nascimento, talvez o mais importante, a marca cronológica do álbum de estreia de Gonçalo Domingues, mais conhecido por Vilão, “Mau da Fita”. Apesar de ser um dos membros fundadores da editora ASTRO Records, e do seu nome não ser de longe estranho para a grande maioria dos leitores, ainda não nos tinha brindado com o seu primeiro álbum, ficando apenas pelas colaborações e temas soltos.

Aproveitando o cada vez maior hype da ASTROrecords onde se destacam nomes como ProfJam e Mike El Nite, Vilão mostra que merece muito mais atenção do que aquela que tem recebido. Destacando-se nas colaborações que realizava, tornava-se imperativo que lançasse um álbum a solo, onde mostrasse todo o seu potencial. E conseguiu-o.

“Mau da Fita” é o nome do álbum que chegou para ficar e coloca Vilão noutro patamar, passou de um jovem com potencial, para uma grande promessa ou uma quase certeza do Rap Nacional. Comecemos pelo nome do álbum, normalmente, os trabalhos de estreia costumam intitular-se com o nome do artista, neste caso, Vilão pensou mais á frente e decidiu chamar-lhe “Mau da Fita”, um sinónimo do seu próprio nome, não perdendo a sua identidade, conjugando-a com a criatividade que todos lhe atribuem. Um toque pessoal, diferente. Aprovado!

Todos sabemos que os lançamentos dos álbuns têm que ser analisados e personalizados, é necessário uma analise ao mercado musical e em seguida uma personalização no que diz respeito ao lançamento do álbum, tendo que ser direcionado para o seu publico alvo, um álbum de um artista como Tony Carreira é pensado e lançado de maneira completamente diferente ao de um artista como o Vilão, cujo musica se dirige sobretudo a uma faixa etária mais baixa. Analisando esse facto e conhecendo bem essa realidade, decidiu disponibilizar o seu álbum de duas maneiras, como muitos artistas da sua geração tem feito, um em formato fisico,que apesar de não gerar um lucro elevado ao artista, é a obra física do artista e outro em formato digital, disponibilizando o download gratuito do albúm, conseguindo assim chegar a um número maior de pessoas. Aprovado Vilão!

O álbum conta com colaborações como DJ Ride, Harold, Blasph, Bispo, Mike El Nite ou o já falecido Short Size e com produções de Holly, Charlie Beats, Ghost Wavvves e METAMVADNESS e é sobretudo um “camaleão” de álbum, adapta-se a todas as situações. Nele podemos encontrar desde trap, a músicas mais sentimentais boom bap,dancehall… Era arriscado, sair da zona de conforto e fazer algo que seja apreciado por vários apreciadores de diferentes géneros. E fê-lo bem, apesar de músicas que na minha opinião, não foram tão bem conseguidas, a qualidade do álbum superioriza-se, a qualquer defeito que possa apontar. Uma mistura de inovação, originalidade mas sempre com aquele toque de Vilão que torna o álbum tão dele. Uma lírica estonteante,com produções muito bem conseguidas, juntamente com colaborações incríveis como a de Harold, Bispo e Blasph ,fazem deste álbum um belo adoçar de boca para o que aí vem. Músicas como “X “ por ser algo tão pessoal que nunca tínhamos tido oportunidade de observar no rapper e por ser talvez das musicas mais homogéneas do álbum, “Acasos” que conta com os rappers Bispo e Harold, que funcionam como um upgrade,tal a qualidade que emprestam á música, é provavelmente a minha música predilecta, dada a variedade de estilos que se apresenta com uma mistura do rap da nova escola, soul e uma lírica incrível. Destaco também “Excalibur” e “Farpas”, esta ultima com a colaboração de Blasph, com uma melodia muito cool, o toque de Blasph na música é notário, muito bem produzida e em que a lírica de Blasph e de Vilão fez o resto.

Definitivamente um álbum que marca uma viragem na carreira de Vilão .Será caso para dizer, Vilão passaste quase com nota máxima, estás aprovado e preparado para este mundo de Super-Heróis.

Álbum: Vilão – “Mau da Fita”
Classificação:  7.6/10
Lançamento: Novembro de 2015 – Astro Records
Crítica por:  João Rodrigo

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