B4.DA.$$: Um álbum para ouvir “a caminho do trabalho, numa longa e secante viagem de visita à família que vive em Vila Real de Santo António ou em Trás-os-Montes, ou até a apanhar o típico Sol de qualquer praia fluvial”.

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Onde Joey Badass toca, transforma-se em dinheiro? Será uma reencarnação de Midas? Talvez um dos exemplos foi que tocou nos dos “ss” do seu nome de artista e tornou-os cifrões. Lenda?Coincidência? Até poderia ser, até que lança a sua primeira mixtape, “1999” e começa a ganhar outro respeito por parte do mundo do Hip Hop, lançou ainda “Rejex” com músicas que eram para estar na sua primeira mixtape. Apenas um momento de genialidade? De sorte? É certamente uma das ideias que nos vem à cabeça vindo de um miúdo de 17 anos, sempre olhado com alguma desconfiança.

Joey decide pôr os pontos nos “i´s” e lança no ano seguinte o seu álbum de confirmação no mundo “hiphopiano”, “Summer Knights”, onde conta com a colaboração de nomes como DJ Premier, BIG K.R.I.T, Ab-Soul, Odissee ou Statik Selektah, atingido o sucesso que já se previa com a sua Mixtape.

Dois anos depois, faz-me estar na secretária, a ouvir o seu novo trabalho, horas e horas sem fim, permitindo-me atentar em cada pormenor de cada música. Lança assim, “B4.Da.$$” e apesar de ser um trabalho recente, ninguém questiona a sua qualidade, aos seus fresquinhos 20 anos, Joey, consegue o respeito de todos e equipara-se aos grandes nomes do Hip Hop sendo requisitado para os grandes festivais de todo o mundo.

Falemos agora de B4.Da$$, transmitindo como tem sido habitual em todos os trabalhos, apenas a minha opinião pessoal. Sendo assim estamos perante uma nova obra-prima fruto da genialidade de Joey. E que maturidade que Badass ganhou em tão pouco tempo, é impressionante a evolução que podemos observar de trabalho para trabalho, com isto não quero dizer que os álbuns têm vindo a crescer em termos de qualidade, mas sim que é notório o crescimento do nova-iorquino, mais seguro, mais adulto, mais equilibrado e diversificado. Mas nem tudo é bom visto que a sua irreverência dava um toque especial a todos os seus álbuns, apesar disso, é possível verificar-se a existência do lado mais emocional e irracional de Joey.

Beats melódicos enriquecem uma lírica bem conseguida, sendo a cereja no topo de bolo, a voz inconfundível e a paixão que Jo-Vaughn (nome verdadeiro) põe em cada música. Mérito também da produção que o álbum foi alvo. É este um trabalho equilibrado, sem grande disparidade de qualidade entre cada música, que se pode ouvir em diversas situações, a caminho do trabalho, numa longa e secante viagem de visita á família que vive em Vila Real de Santo António ou em Trás-os-Montes, ou até a apanhar o típico Sol de qualquer praia fluvial.

Um álbum tão pessoal como nunca tínhamos visto em Badass, onde não se necessita fazer um teste de paternidade para sabermos a quem pertence, onde revela todo o seu eu, a sua realidade, a sua personalidade e carácter.

Apesar de ser um álbum quase perfeito, não é fácil igualar trabalhos como os seus antecessores, visto serem álbuns quase utópicos, mas o melhor elogio que podemos fazer é que não se trata de um álbum inferior a “1999”, “Rejex” e “Summer Knights” .Contudo mantém se na mesma linha que os anteriores, não se vê uma mudança de estilo, trata-se de um álbum seguro, com pouco risco de insucesso, o que também pode ser visto como um elogio visto a quantidade de artistas que se venderam pela fama e pelo dinheiro, mudando o seu estilo para se inserir num público massificado. Joey não. Por ter apenas 20 anos e estar numa idade de descoberta? Muito provavelmente, mas quero acreditar que ainda existem perante nós, artistas genuínos que apenas querem oferecer o melhor de si a cada ouvinte.

O desejo de cada um de nós, amantes de música, de boa música, de Hip Hop, é que Joey nunca se altere, continue sempre irreverente e fiel ao seu próprio estilo.

Hasta!

Classificação: 8.7/10
Álbum: B4.DA.$$ – Joey Badass
Lançamento: 20 de janeiro de 2015
Crítica por: João Rodrigo

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