Vodafone Mexefest – Primeiro Dia (28 de novembro).

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Foi com algum entusiasmo, que demos inicio à nossa “viagem” pelo Vodafone Mexefest 2014. Um festival com um conceito especial, algo revolucionário, quando comparado com o resto dos festivais que nos são apresentados todos os anos no nosso país. Tem a particularidade de em vez de haver dois ou três palcos, divididos quanto ao género musical e à dimensão das bandas que participam no evento, consistir em actuações em salas emblemáticas da nossa capital, como o Coliseu dos Recreios, Cinema São Jorge ou a Casa do Alentejo e em espaços como o Starbucks e autocarros do Festival. Um festival diferente, e essa diferença cada vez mais se torna importante tendo em conta o dinamismo urbano e cultural de Lisboa, ao nível das grandes capitais europeias.

Mas nem tudo foi maravilhas, o primeiro aspecto a apontar foi sem dúvida o horário de início dos primeiros concertos do festival. Sendo um festival que se realiza durante uma altura em que são raras as pessoas que não se encontram no exercício das suas actividades, o primeiro concerto dar início minutos após as 19 badaladas, impede que haja uma moldura humana significativa nos concertos iniciais.

Chegámos por volta das 20.40 e tivemos o privilégio de ouvir parte do concerto de NBC, um autêntico senhor da música, que brindou o seu público com um espectáculo vibrante, entusiasmante, onde expôs ao máximo toda a sua qualidade musical, um exemplo para todos os artistas mais novos. Um concerto completo, uma actuação de Hip Hop com auxilio de uma banda e não como os novos rappers que se apresentam sempre com o típico DJ. Um artista que transmite em absoluto toda a sua experiência, misturando um género de hip hop mais moderno com um hip hop mais comercial, que em nada escasseia em termos qualitativos. Contou também coma presença de um grupo de Gospel numa das músicas, acabando o concerto com a apresentação de uma nova música que estará presente no novo álbum, de onde provém o single “Gratia”. Deixando um sabor amargo na boca por não termos assistido ao inicio da actuação, resta-nos dizer, NBC, venham mais 20! (alusão aos 20 anos de carreira, que festeja este ano).

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Partimos então em busca de novas actuações, sendo que nos deparámos com uma nova objecção, o facto de os concertos terem inícios muito próximos, o que visto que as actuações se realizavam em espaços diferentes, dificulta o acesso aos mesmos. Após algum tempo de espera para o inicio da actuação de Francis Dale, investimos numa caminhada rumo ao Cinema de São Jorge, para assistir à actuação de Capicua, sendo surpreendidos com uma fila de espera para entrar na sala de espectáculos. Não estranhámos, visto que o seu ultimo trabalho aumentou e muito o hype da artista que veio revolucionar o mundo do Hip Hop Português, ombreando com “Hércules” do Hip Hop Português. Ao darem-nos ordem de entrada na sala,para além de uma sala esgotada, observamos um misto muito interessante de idades, desde grupos etários mais jovens , a mais avançados. Só por isso, Capicua merecia todos os nossos aplausos. Uma voz diferente, encantadora, melódica, uma imposição lírica e instrumental, de uma típica mulher de norte que se impôs e ganhou o respeito de um género musical em que dominava em larga escala o género masculino. Uma actuação que contou com vários extras que enriqueceram a sua actuação como a presença de uma stripper e um dançarino de breakdance. Apesar de tudo isto e sabendo da qualidade de Capicua, o seu concerto deixa-nos com a sensação de que faltou qualquer coisa ,apesar do excelente concerto, continuamos a achar que consegue dar o seu público concertos memoráveis, criatividade, musicalidade, qualidade, originalidade, não lhe falta, talvez para a próxima nos “satisfizesse“ completamente o bichinho….

Após sairmos do concerto, depara-mo-nos com um autocarro do festival com uma banda, com uma sonoridade bastante interssante, desconhecida para 98% dos festivaleiros (estimativa bastante aproximada da realidade) e somos confrontados com uma actuação bastante interessante, Turbo Balkan Beats, com recurso a vários instrumentos, produzindo sons de grande diversidade, imperando um género balcânico.

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Decidimos, ir assistir à parte final da actuação de uns das cabeças de cartaz do festival os, Tune-Yards, primeira enchente do Coliseu dos Recreios na edição de 2014 e apesar do atraso, rapidamente percebemos porquê, um estilo musical indescritível, uma enorme mistura de sonoridades que não permite que definamos um só estilo, um excentrismo patente em cada membro da banda, um concerto enérgico, uma banda que se vê ter uma enorme experiência em palco, proveniente dos últimos anos. Naturalmente se chegou à razão da enchente.

Tune Yards

Seguimos para o concerto de Pharoahe Monch, um dos artistas que me despertava mais curiosidade no cartaz, por todo o seu passado no Hip Hop, não é normal, um artista americano de craveira internacional, actuar em terras lusitanas. Num palco tão característico como o Ginásio do Atneu Comercial de Lisboa, mesmo no meio de um campo de basquetebol, tudo parecia propício para passar um grande momento. Rapidamente depará-mo-nos com a pouca presença de um público, público esse pouco conhecedor da discografia do nova-iorquino, pouco exuberante dadas as nossas características latinas que juntamente com alguns problemas no som, conduziram a um concerto q.b, sem deslumbrar dadas as expectativas.

Pharoahe Monch

Abandonámos, o concerto para dar uma espreitadela na actuação de Shura, mas fomos surpreendidos pela curta actuação da artista, não podendo assim fazer comentários em relação ao concerto.

st vincent3Dirigimo-nos para o último concerto da noite, de outra das cabeças de cartaz, St.Vincent, a expectativa era alta, a sala rapidamente encheu com fãs que pareciam ter comprado o bilhete de propósito para ver Annie Clark, um público essencialmente jovem que vibrou com a aparição da artista em palco. Um belo concerto, num género bastante característico, a opinião sincera de um fã que desconhecia em parte o seu trabalho.Um belo concerto dominado por um ambiente reconfortante, com grande comunicação da vocalista com o público, a presença de um ambiente electrizante, confortável e para alguns até bastante romântico.

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A nossa noite acabou a assistir a actuação de Black Sea Não Maya, num contexto de actuação diferente, essencialmente dançável, mas com bastante qualidade. Grande concerto de uma banda de música electrónica com um groove africano que evitou que ninguém presente pudesse ficar parado. Uma bela maneira de fechar uma noite,que apesar de não ter um cartaz com nomes dispendiosos e conhecidos do público em geral, se caracterizou essencialmente por ser, diferente. Para o ano há mais e esperamos novas surpresas.

Texto: João Rodrigo
Imagens: Fábio Lopes (Buzz TV) Jorge Boiça + André Ferreira (Vodafone Portugal);

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