Vodafone Mexefest – Segundo Dia (29 de novembro).

ambiente

Bem tentámos chegar cedo mas não deu. Acabamos por entrar pelo Coliseu dos Recreios como heróis, prontos para ouvir Sharon van Etten. Não há desilusões, há casa cheia e direito a muitos piropos do público à jovem americana, que responde com bom humor. Deu-nos música calma e romântica, sem grandes momentos de génio ou inovação musical. Não se nega talento ou encanto à interprete, mas foi uma performance de bar com possibilidade de gorjetas no fim. O Coliseu estava bonito e cheio demais para aquele conjunto de canções que não mais fizeram que inspirar a beijinhos e abraços. Ninguém ficou triste, mas precisávamos de mais.

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JJ1Assim, seguimos o nosso percurso triunfante pela Avenida da Liberdade, e decidimos rever a Casa do Alentejo com boas memórias da véspera. Jay Jay não demorou e, com o seu primeiro beat, conquistou. O problema foi cantar. Apreciando a diversidade de autores e estilos escolhida pela organização e respeitando os gostos musicais de toda a gente, tenho de dizer que não tive paciência para muito do conceito musical escolhido. Em diversas conversas antes, durante e depois do festival, as várias pessoas que partilharam comigo a sua opinião sobre o cartaz usaram sempre a expressão hipster. Ora, sendo este novo conceito uma definição de pessoas que fogem ao mainstream, basta realmente olhar para o cartaz e admitir que os artistas escolhidos, ou são completamente desconhecidos. ou não deixam multidões a gritar o seu nome. Chamar hipster pode ser portanto apenas um sinal de ignorância, mas, quando ouvi Jay Jay Johanson cantar, percebi que não. O senhor canta bem, a música é bonita, mas não é para todos. O seu estilo de canto não combina com o interessante instrumental, pelo menos nas quatro músicas que ouvimos. Demasiada conceptualidade, pouca musicalidade. Fugir ao mainstream a qualquer custo pode correr mal. Para nós correu, e por isso, esperando que tenha sido um resto de bom concerto para o resto da bela sala, que estava quase cheia, seguimos para a Estação Ferroviária do Rossio.

Palma Violets era um nome que já tinha passado nos meus olhos mas ainda não pelos ouvidos. Sabia que era rock e que os achavam tão interessante que já tinham recebido a alcunha dos próximos macacos do Árctico, por isso as expectativas não eram nulas. Era até impossível não criar expectativas com a vista que tínhamos para o castelo e o número de espectadores que não parava de crescer. E depois começaram a tocar. Uma entrada muito épica, muito movimento em palco, um som de abanar a cabeça até não conseguir manter os dois pés no chão, uma bateria acima da média, parecia haver tudo. Menos cantar. Muitos gritos e grunhidos e não percebi quase nada. Se calhar foi um problema só meu. Ainda assim valeu a pena ver metade de um concerto bastante animado e com uma localização muito especial. Seguimos para o Palácio Foz.

palma2Tenho muita pena de não ter conseguido ter o espírito de atirar o casaco para o lado e dançar. O som merecia. Meu Kamba Soundsystem é mais um projecto à imagem do bem sucedido Batida ,que nos leva numa viagem balançada pelos ritmos das antigas colónias portuguesas. Ficou a dica para outro dia.

Encaminhamo-nos para o Ateneu. Queríamos ver a performance de MGDRV e vimos dois senhores a mandar rimas para o ar com um beat interessante por trás. Esperávamos mais do valor seguro que é Miguel Pité e da sua companhia. Faltou ligação, mais que emoção. Talvez mais tarde nos conquistem.

ambiente2Hora de chegar ao Coliseu de Lisboa para ver Wild Beasts. Um dos nomes grandes do festival não me dizia nada, e essa situação não mudou até metade do concerto já ter passado. E tal acontece apenas quando se evidencia a presença da segunda voz da banda. Ora com os sintetizadores, ora simplesmente com o seu potente órgão vocálico, destacou-se muito mais do que o vocalista, que me pareceu banal nesse papel. Soltaram o som e ficaram em comunhão com um Coliseu cheio e cheio de vontade de sentir algo mais que lamechice. Entre brindes e esforçados “obrigadas”, a banda marcou posição e terminou bem uma actuação de duas caras.

wildbeastsNão nos mexemos mais esta noite, até pouco depois do início da actuação de Branko. Decidimos dar especial atenção aos seus convidados DengueDengueDengue!, e fomos positivamente surpreendidos. Os equatorianos mantiveram a pista quente com uma mistura electrónica de elementos da sua música tradicional. Às 3 da manhã ainda tentámos acompanhar o Dj dos Buraka, mas o corpo já não dava. Culpamos o frio mas ainda assim saímos a partir chão.

Foi a primeira vez que a Buzz TV cobriu o Vodafone Mexefest e sentimos como uma lufada de ar fresco, as boas notícias de não ter de ouvir os mesmo djs a passar a mesma coisa, e de que, não saindo da Avenida, pudemos ouvir tanto em tantos locais maravilhosos, alguns que nos eram desconhecidos até agora. Só lamentamos a pouca identificação com a maior parte das escolhas para o cartaz.

Texto: Pedro Cisneiros;
Fotos: Fábio Lopes;

Equipa

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