Vodafone Paredes de Coura: Dois últimos dias, o adeus e o balanço geral.

Festival Vodafone Paredes de Coura 2015- Um festival a rebentar pelas costuras

Parte 3- Dois últimos dias, o adeus e o balanço geral

Se os dois primeiros dias semearam curiosidade em nós, estes trouxeram a nostalgia por vermos o fim cada vez mais próximo.

O terceiro dia, dia 21, levou grandes nomes ao palco Vodafone e Vodafone FM dos quais se destacaram os Allah-Las , Charles Bradley e The War on Drugs.

Os Allah-Las trouxeram à memória os The Growlers da edição passada. Uma banda cuja música faz bem à alma e é ideal para um final de tarde solarengo.

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Apesar do grande nome deste dia ser The War on Drugs e do excelente concerto dado pela banda, não foram eles a estrela da noite, mas sim Charles Bradley.

Charles Bradley enfeitiçou todos os que ali estavam. Transportou-nos para o soul dos anos 50 e manteve-nos lá até ao momento da sua saída. Foi inexplicável a atmosfera sentida. Um sentimento de amor abraçava todos. Uma energia enorme transpirava do cantor. Dançar foi instinto e instantâneo assim que começou a tocar. Uma emoção tão grande, tão pura que encheu os corações de toda a gente. Houve quem chorasse, quem sorrisse, mas não houve ninguém que ficasse indiferente. Uma onda de “I love you’s” foi ouvida durante todo o concerto. Foi uma lavagem de alma. A sensação foi semelhante ao que sentimos quando sustemos o ar durante muito tempo e, de repente, voltamos a respirar, a sensação é igual a essa primeira lufada de ar que nos enche os pulmões. Uma sensação de que tudo está bem e vai ficar bem. Charles Bradley pegou-nos ao colo, abraçou-nos, amou-nos e fez-nos felizes.

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Dia 22, o último dia, foi abençoado com a chuva a que estamos já habituados, e que pareceu uma tentativa de suavizar a dor do adeus.

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A Banda do Mar encheu cedo o recinto de gente e amor, mas foram os Temples, Fuzz, Lykke Li e Ratatat que mais marcaram a noite.

A banda britânica, Temples, trouxe ritmos psicadélicos naquele que considerei ser o melhor concerto de todo o festival, não sendo eu a única a partilhar desta opinião. Apesar de algumas quebras no concerto, aquando da troca de guitarras, a banda soube fluir excecionalmente toda a setlist dos seus temas mais conhecidos até mesmo à estreia de um novo, “Henry’s Cake”, um tema que primou pelo estilo musical ao qual estamos habituados, psicadélico e com a energia de Temples. Com uma grande receção, a banda encheu as medidas a todos os seus mais fiéis fãs (como eu). Para quem esperava há muito vê-los, ou mesmo para quem já queria repetir a dose, o concerto foi eletrizante do início ao fim. O público estava o rubro, constantemente aos saltos e em crowd surfing e foi difícil conter tanta energia no recinto, em especial quando se fizeram ouvir a “Keep In The Dark” e a “Shelter Song”.

No palco Vodafone FM, Fuzz, arrasou o recinto. A banda com Ty Segall na bateria, encheu não só o palco secundário como todo o espaço à volta. Para todos os fãs da banda, que ansiavam por este concerto, viram o seu desejo concretizado. Um concerto recheado das músicas mais queridas e requisitadas. Um concerto com pouca interação com a plateia, mas tal como em Pond, sem que fosse necessário. Para aqueles que ali estavam, ouvir Fuzz foi mais do que suficiente. Uma banda digna de Palco Principal que em bom português “partiu a loiça toda”.

Lykke Li, com o português na ponta da língua, apresentou-se simpática e querida à plateia. Com os seus ritmos de soft pop pareceu agradar mais a quem era conhecedor do seu trabalho. Apesar de alguns bons momentos, desde a tão esperada “I follow Rivers” até à inesperada cover da música de Drake “Hold on, We’re Going Home”, a cantora parecia não se enquadrar tão bem no festival, ou pelo menos não naquela noite. É uma cantora mais acolhedora, que por isso pediria um ambiente também ele mais acolhedor. Contudo, um bom espetáculo.

Ratatat foi, para mim, uma agradável surpresa. Uma banda que esperava não se encontrar dentro do meu estilo musical, conquistou o meu coração e de todos os que a ouviram. A banda nova-iorquina, inteiramente instrumental, construiu um espetáculo hipnotizante desde os seus ritmos psicadélicos aos seus vídeos também eles psicadélicos, que pareciam andar de mão dada com as músicas. Um concerto ideal para dançar e para dizer adeus àquela que foi a nossa casa durante os últimos dias.

De uma maneira geral uma excelente edição e bem construída. Uma edição que perdeu apenas pelo excesso de pessoas, que pareciam nunca caber tanto no campismo como no recinto, e pela sensação de que lentamente se está a perder o espírito que levava as pessoas às primeiras edições do festival- conhecer bandas, conhecer música – que agora parece ter ficado para segundo plano.

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Texto: Joana Martins/Buzz TV
Fotos: Hugo Lima/Vodafone Paredes de Coura

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